Foi em 2004 que Chullage, nome artístico de Nuno Santos, editou «Rapensar», o seu segundo trabalho. Desde então, Chullage, um dos pesos pesados do hip-hop português, andou a «ouvir muita música, a escrever e de luto». O rapper explica ao SAPO que «quando já fizeste dois álbuns, se vais fazer mais um só por fazer e se vais dizer o que já disseste, acabas por estar a repetir-te». O músico resolveu «aprender mais coisas, absorver», compreender «o que é isto da música, o que é isto do rap» e qual é o seu caminho.

Desta busca, Chullage concluíu que por vezes, é necessário esperar para «meter algo dentro», para conseguir regurgitar e voltar com alguma coisa diferente. «Nós temos que estar sempre em reconstrução, em recriação, ainda que tenhamos uma linha que nos guia, que no meu caso é o discurso social», diz.

Durante este tempo o rapper continuou a escrever e a fazer participações. Passados sete anos, surge com o álbum «Rapressão», dividido em dois volumes. O primeiro volume estará disponível para download gratuito a partir do dia 5 de Setembro e o segundo está previsto sair em Outubro ou Novembro. Segundo o MC, «Rapressão volume I» é de base electrónica, «mais programado» e «mais de música software», já a segunda parte é «tocado e conta com banda».

No dia da apresentação do volume I de «Rapressão», no Musicbox, em Lisboa, Chullage explicou que este free cd «são as reflexões que um mc faz, das coisas que vai vendo, vai sentido e vivendo». No fundo, «é um apelo a continuarmos a lutar, a não baixarmos os braços, a cabeça. Acima de tudo, são reflexões de um africano em Portugal, de um africano na Europa».

As raízes de Chullage, Cabo Verde, marcam presença no seu novo trabalho. O uso do crioulo e as «samples» de músicas cabo-verdianas, são a grande aposta do MC que pretende aproximar-se cada vez mais da música e do hip-hop cabo-verdiano.

O primeiro single do volume I, «Patxamama», terá sido uma aventura para o rapper, dado que o instrumental é de «dubstep». «Patxamama», que significa mãe terra, fala sobre o respeito pela mesma, pela natureza e por todos os seres vivos que nela habitam. O MC evoca divindades para que tragam até à terra novas energias, já que o «código de relacionamento das pessoas, é da violência e é o do ataque».

A palavra Rap, encontra-se presente no título dos três álbuns de Chullage, «Rapresálias», «Rapensar» e agora «Rapressão». E talvez porque passaram sete anos ou porque sete pode ser o símbolo do anúncio de uma mudança, «Rapressão» vem encerrar a obra «Rap».«Quero encerrar este capítulo aqui e partir para outra coisa. Se calhar arranjar uma nova trilogia com outra palavra», partilha o rapper.

O músico espera promover a sua música em Cabo Verde e trabalhar com a comunidade do hip-hop cabo-verdiano. Segundo o rapper, o hip hop das ilhas tem vindo a crescer significativamente e é «muito forte do ponto de vista da consciência». Para ele, o hip-hop caboverdiano tem muito potencial e está cada vez mais a despertar para essa consciência. «A música em Cabo Verde tem um grande potencial e isso não vai passar ao lado do hip-hop».

@Ana Oliveira e Edson Vital

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