“Naquilo que são concretamente as canções e o seu imaginário há sempre a tentativa de chegar a outros caminhos e a outros resultados. É um disco um bocadinho mais abrasivo, mais cru, mais ‘rock’n’roll’ em algumas das canções, mas também tem alguns temas mais poéticos, atmosféricos até, quase de inspiração cósmica e, em termos de escrita, acho que é um disco bastante, não direi filosófico, mas que tem um pendor poético muito forte”, disse à Lusa a vocalista da banda que iniciou no sábado a digressão de apresentação do álbum, no Teatro Municipal de Vila do Conde.

O sétimo disco de originais do grupo fundado há 22 anos conta com muitos dos colaboradores já conhecidos, como Sérgio Godinho e Carlos Tê, mas acrescenta dois novos: o ex-Ornatos Violeta Nuno Prata (em “A ver se sim”) e Samuel Úria (na canção “Zeitgeist” e em “Canção de água doce”).

Manuela Azevedo confessa que não foi fácil encontrar um título para o álbum que acabou por se chamar “Corrente”: “As coisas que queríamos sintetizar, que sentíamos que estavam presentes neste disco tinham que ver com alguma rudeza até dos materiais de que se falam em alguns temas (…). Por um lado, essa vontade de falarmos de coisas mais cruas, mais naturais, mais francas também, por outro lado sentimos que o disco tinha alguma energia ‘rock’n’roll’ [e] energia acho que é a palavra certa”.

Assim, o disco chama-se “Corrente” por “ter muitos significados, não só de corrente elétrica”, mas também do “fluir das coisas, das águas, dos dias, a energia e a inevitabilidade da natureza de cada um quando está ligado ao mundo e à realidade”.

Em relação ao panorama nacional, Manuela Azevedo considera ser “cada vez mais um ato de resistência ser-se artista” em Portugal e lamenta que “às vezes neste desespero de pôr as contas em dia e o país a produzir não se perceba de forma mais clara e inteligente que uma das coisas que tão bem se produzem em Portugal são ideias e a dimensão cultural que Portugal tem, que é inimitável e preciosa”.

“Essa lógica de que a crise acaba por dar frutos muito interessantes é verdade para algumas pessoas, mas para muitas outras não é”, refere a artista, que salienta que, “por mais que um artista seja resistente, há de haver uma altura em que se torna insustentável se de facto se está desempregado ou se tem que se arranjar outro emprego que não deixa espaço para a criação”.

@Lusa

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