O diretor artístico e pedagógico da OML, o maestro e compositor Pedro Amaral, disse à Lusa que a ideia de dividir a temporada “em três pilares” – Barroco, Clássico e Moderna – permite que “o público saiba o que pode encontrar em cada espaço”.

“Vamos ancorar a nossa temporada em três zonas da cidade, procurando, nesta perspetiva contemporânea, ir à procura do nosso público. Uma é a zona central da urbe, que é o Palácio Foz, outra a zona ocidental, que é um palco tradicional da OML, o Centro Cultural de Belém, e, expandindo para norte, as Laranjeiras, com uma programação Clássica no Teatro Thalia”, explicou Pedro Amaral.

A sala de espelhos, espaço nobre do Palácio Foz, nos Restauradores, será o cenário para a programação de barroca que conta, entre outras, com a estreia moderna de um “Miserere”, de Zelenka, e a audição “rara” de “Gloria in excelsis Deo", de Handel, descoberta há pouco mais de uma década, em antigos arquivos alemães, guardados em Kiev, na Ucrânia.

Desta programação faz também parte o concerto de Natal que se realizará, no dia 20 de dezembro na Aula Magna da Universidade de Lisboa, cujo programa é repetido no dia seguinte, no Forum Luísa Todi, em Setúbal.

Em declarações à Lusa, Pedro Amaral afirmou que a programação da Metropolitana “deve ter uma grande clareza", com a preocupação de "oferecer ao público um produto perfeitamente legível”.

O público deve identificar “a temporada daquela orquestra naquele espaço, como um produto perfeitamente claro - vamos lá e sabemos o que vamos ouvir”, acrescentou.

A estética musical barroca denominará o cartaz do Palácio Foz, onde, no sábado, se escutará, de Corelli, os concertos n.ºs 4 e 12, do Opus 6, de Telemann a Abertura em Ré maior TWV 55:D18 e o Concerto Grosso TWV 54 e, de Vivaldi, o Concerto Grosso RV 565.

A orquestra de câmara que vai interpretar estas peças é composta por Carlos Damas, Anzhela Akopyan, Raquel Cravino e Daniela Radu, em violino, Andrej Ratnikov, em violeta, Jian Hong, em violoncelo, Vladimir Kouznetsov, contrabaixo, Sally Dean e Luis Auñón Pérez, em oboé, Sérgio Charrinho, Rui Mirra e Davide Lopes, em trompete barroco, Fernando Llopis, em tímpanos, e Marcos Magalhães, em cravo.

Com 20 anos de existência, “a OML tem de absolutamente de encontrar o seu público”, defendeu Pedro Amaral, referindo que ele não é preferencialmente “nem o que vai à [Fundação] Gulbenkian, nem o que vai ao [Teatro] S. Carlos, que aliás se tocam”.

“O encontro desse público é, ao mesmo tempo, pelo interesse específico daquela temporada, que está longe de ser uma sucessão de obras-primas dentro daquele tipo de música”, optando-se por “obras menos habituais de ouvir”.

“Queremos dar a conhecer [estas obras], este é um desafio para nós e para o público, trazer novidades históricas para um público que conhece mais facilmente as obras-primas", salientou.

Entre as obras “raras de ouvir”, o maestro citou, na temporada Barroca, além da “Gloria” de Handel, e do “Miserere”, de Zelenka (ZWV 57), as Partitas de “O prazer musical”, de Pachelbel.

A programação Barroca acontecerá todos os sábados, às 21:30, até 14 junho, e apresentará, ao longo de oito concertos, peças de compositores da época, como Francesco Conti e Johann Sebastian Bach, assim como dos filhos do mestre de Leipzig.

As "Sequenzas" do contemporâneo Luciano Berio, para violino e flauta solo, são confrontadas com sonatas de Bach (1.ª Sonata para violino solo) e Zelenka, e com Partitas de Pachelbel.

Aos instrumentistas da Metropolitana, juntar-se-ão ainda, ao longo da temporada, os cantores líricos Joana Seara, Jorge Vaz de Carvalho, Mário Alves e João Fernandes, entre outros.

Além das programações Barroca e Clássica, que se iniciam no sábado, respetivamente no Palácio Foz e no Teatro Thalia - a temporada da programação Moderna abre no dia 27, no CCB -, Pedro Amaral realçou ainda o ciclo de concertos previsto para julho de 2014, na Biblioteca Nacional, no Campo Grande, que desde o ano passado tem sido palco da OML e onde este ano abriu a temporada.

Este ciclo, sempre às sextas-feiras à noite, assenta grande parte da sua programação no estudo do Fundo de Partituras da Biblioteca Nacional de Portugal.

Pedro Amaral adiantou que, a par da estreia moderna das peças escolhidas, estas também “serão editadas, anotadas” e também gravadas.

@Lusa

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