Miguel Lobo Antunes chegou à Culturgest há dez anos e recorda-se de ter ido à inauguração da instituição lisboeta, naqueles primeiros dias de outubro de 1993, por isso diz-se à vontade para considerar que é "um centro cultural com repercussão europeia", com um "perfil facilmente caracterizável, reconhecível e virado para a contemporaneidade".

Grande parte das celebrações dos 20 anos aconteceu no fim-de-semana passado, em vários espaços da Culturgest.

Na sexta-feira é inaugurada a exposição "Sentido em deriva - Obras da coleção da Caixa Geral de Depósitos" e, no sábado, a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o Coro Gulbenkian interpretarão "Magnificat", obra encomendada ao compositor António Pinho Vargas, a par de obras de Handel e Bach.

Para Miguel Lobo Antunes, a Culturgest tem feito serviço público, porque "tem introduzido na cidade a possibilidade de mostrar uma parte daquilo que é mais relevante do ponto de vista do avanço, da contemporaneidade".

A ideia é, no entender do programador, contrariar uma cerca "mercantilização da cultura", que "leva a que as pessoas olhem para aquilo que é a oferta cultural como produtos que se consomem como outros quaisquer e não como algo de transcendente, que tem a ver com o que há de mais fundo na natureza humana: a vontade de criar da natureza humana".

Miguel Lobo Antunes reconheceu que "a criação artística [portuguesa] está de facto em grandes dificuldades, não há ninguém que possa negá-lo", mas é "imprescindível que o público e os artistas não percam ligação com o que se faz de bom, fora de Portugal".

"Se nos fechamos sobre nós próprios, isso é terrível. É quase como o fascismo. Nao entrar em relação com o mundo não pode ser. Isso empobrece-nos imenso", alertou.

@Lusa

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