Em 2009, depois da saída do icónico baterista Jimmy Chamberlin, Billy Corgan anunciou que os Smashing Pumpkins iriam lançar três discos que fariam parte do projeto ‘Teargarden by Kaleidyscope’, inspirado no tarot.

“Oceania” (2012) foi o primeiro álbum do grupo no novo milénio e o melhor desde o já distante “Mellon Collie and the Infinite Sadness” (1995). “Monuments to an Elegy” é o segundo e o terceiro será “Day for Night”, que poderá ser editado ainda este ano.

Mais uma vez houve alterações no alinhamento da banda, com a saída do baterista Mike Byrne e da baixista Nicole Fiorentino. Para surpresa de muitos, o substituto do primeiro foi Tommy Lee, membro fundador dos Mötley Crüe e ex-marido de Pamela Anderson. Lee surge apenas para gravar este disco.

“Monuments to an Elegy” abre com “Tiberiu”, umas das melhores faixas do álbum. Marcado por riffs poderosos, é um tema que poderia ter entrado em “Oceania”. Dinâmico, com o piano e um órgão em destaque, não deixa de ter a guitarra e a voz de Billy Corgan nos papéis principais.

“Being Beige” foi o primeiro single do disco e é uma excelente canção, com um refrão à Billy Corgan, intenso e muito bem construído. O que começa como uma balada acaba por se revelar uma grande canção rock. Este é um daqueles temas em que já sentimos algumas diferenças na sonoridade do grupo, com baterias programadas e teclas omnipresentes.

Conforme vamos avançando por “Monuments to an Elegy”, mais nos apercebemos que há algo novo no som dos Smashing Pumpkins. Temas como “Anaise!”, “Run2Me”, “Monuments” e “Dorian” têm uma uma forte faceta synthpop, algo que só a espaços encontrámos em álbuns do grupo (como no mal amado “Adore”, de 1998), embora dominassem a estreia a solo de Billy Corgan, “TheFutureEmbrace” (2005).


No entanto este não deixa de ser, na essência, um disco de rock alternativo: as guitarras continuam presentes, mais em sequências de acordes do que em riffs musculados. Apesar de termos algumas baterias programadas, Billy continua a apostar em percussão orgânica e intensa.

O álbum termina ao som de “Anti-hero”, entre o rock, o pós-punk e, mais uma vez, alguma synthpop. E aí somos apanhados de surpresa. O tema deixa um sabor a final antecipado, apenas 33 minutos depois de “Monuments to an Elegy” ter começado a tocar.

Billy Corgan fez um disco mais atual, não só pela sonoridade, mas também pela duração dos temas, mais amigos do formato "shuffle" e portátil.

O resultado não será tão bom como “Oceania”, álbum em que voltámos a acreditar nos Smashing Pumpkins, e faz-nos questionar se queremos que este seja o novo caminho da banda. A resposta é não. Gostamos de ver o ego e a personalidade de Billy Corgan expostas na sua música e isso reflete-se em riffs musculados e composições complexas, que muitas vezes correm o risco de não ser aceites. Mas que arriscam mais do que qualquer tema de “Monuments to an Elegy”.

Mesmo assim, enquanto esperamos por “Day for Night”, vamos escutando, razoavelmente satisfeitos, boas novidades como “Tiberiu”, “Being Beige”, Monuments”, “Drum + Fife” ou “One and All”. O regresso monumental pode ficar para a próxima, que este pelo menos já não desilude.

@Edson Vital

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