Terem arrancado com a sala ainda muito vazia, excetuando algumas repercussões sonoras, não parece ter sido um problema. Muito bem recebidos por quem chegou mais cedo para os ver, os Balthazar souberam aguentar-se, numa curta mas sólida prestação, onde deixaram mais que sublinhadas as suas intenções de crescimento e um jeito natural para aliciarem o público. Com esta postura de excelência, não admirará que as suas canções bem intricadas, pontuadas a detalhes rítmicos, a sintetizador ou violino, entrosadas à força de uma conjugação de vozes coesa e deambulatória, sejam convocadas para os próximos festivais.

Após tão boa introdução, foi a vez dos Editors subirem ao palco para reclamarem a noite que à partida já era deles, e que à partida estaria já ganha, o que se veio facilmente a confirmar aquando da entrada da banda em palco, com os presentes ao rubro e a encabeçarem uma ótima receção aos senhores de Birmingham.

Sugar, canção número dois do mais recente “The Weight of Our Love” (2013), abriu o espetáculo em modo agridoce, com o recinto meio cheio a fazer esquecer os espaços vazios com o entusiasmo que se fez sentir desde o primeiro segundo.

Com Smokers Outside Hospital Doors chegou-nos o primeiro agradecimento. Tom Smith raramente se dirige à plateia, embora, quando o faça, seja breve e simpático, mas não há como acusá-lo de ser pouco comunicativo. Enquanto que, sob um jogo intenso de luzes, as silhuetas dos músicos vão desbravando camadas de fumo, o vocalista destaca-se, mais à frente, pela entrega e interação promovidas pelo interpretar teatralizado das palavras que debita assertivamente.

Nem o percalço, encarado com humor, da corda do baixo de Russ Leetch, que se partiu no início de All Sparks, pôs cobro a um alinhamento consistente, repartido por quatro álbuns de originais que têm em comum a grandiosidade dos temas, que parecem ser construídos de forma a agarrar o público e que são tocados em entremeio com baladas poderosas, em que o piano confere alguma delicadeza aos ensinamentos do rock. Apesar de, para o caso, o piano não ser aqui chamado, foi com The Phone Book, inicialmente em modo acústico, apenas na companhia das guitarras, que os Editors levaram a cabo um momento digno para a elevação de isqueiros e telemóveis, que acabou por ser conspurcado por alguns fãs mais irrequietos que aproveitaram o “silêncio” para se fazerem ouvir.

Repleto de pontos altos e de temas que o público pareceu receber tão bem e tão intensamente, a tarefa de entreter os portuenses revelou-se fácil de concretizar. Embora Munich, do longa duração de estreia dos Editors, “The Back Room” (2005), tenha sido dado como um dos temas mais aguardados por alguns burburinhos pedinchões escutados no recinto, a recetividade manteve-se ao longo desta atuação, tão homogénea em termos qualitativos.

Os Editors despediram-se ao som de Honesty,mas regressaram para um encore de três temas, onde coube à extensa Papillon, retirada de “In This Light and on This Evening” (2009), fechar o alinhamento. A noite viu-se, assim, terminada em modo festivo, dando ares do repertório mais dançável que marcou a mudança de orientação da banda, que ainda se vê capaz de manter o seu público fidelizado, como ficou provado, esta noite, no Coliseu.

Texto: Ariana Ferreira

Fotografia: Anais F. Afonso

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