Este é o segundo trabalho da parceria entre Pedro Mestre e Chico Lobo, e foi gravado em 2012, procurando “explorar as semelhanças entre a viola campaniça e a viola caipira, que na realidade são primas”, explicou o músico à Lusa.

O ponto de partida desta “parceria inédita” foi a verificação, por parte dos tocadores, da estreita ligação entre as duas violas, tendo, logo em 2006, no Encontro de Culturas de Serpa, notado “os sinais de familiaridade entre os instrumentos”, disse Pedro Mestre. “Dos aspetos musicais, a semelhança alargou-se, nos anos seguintes, aos respetivos contextos socioculturais”, contou o músico alentejano.

“Por trás do espetáculo, que as violas proporcionam, estão os povos que as utilizam quotidianamente nas folias de Reis, nas 'serestas' e nas festas do Divino, em Minas Gerais, ou nos descantes e nos ‘balhos’, no Alentejo”, disse Mestre, que realçou a convivência dos dois músicos como uma "mais-valia" para a apresentação deste DVD. Pedro Mestre acrescentou: “Através do dedilhar dessas cordas, colocaram-se em diálogo as duas culturas”.

“Este entendimento, baseado na amizade entre os músicos e no respeito pela matriz da tradição, foi sendo sedimentado pelos contactos constantes que se mantiveram regularmente nesta já longa e persistente caminhada”, enfatizou.

O primeiro trabalho discográfico, “Encontro de violas – viola campaniça e viola caipira”, foi editado em 2007, no Brasil e em Portugal.

Violeiro, compositor e “cantador”, Chico Lobo nasceu há 50 anos em S. João d’El Rei, no estado brasileiro de Minas Gerais. O músico toca viola caipira desde os 14 anos. Reconhecendo-o como guardião de uma tradição musical, Chico Lobo foi nomeado embaixador do Divino Espírito Santo, na sua terra natal, e Guarda Coroa de Santo António, em Congado, no mesmo Estado. O músico toca e canta “folias”, “congados”, “catiras”, modas e outros ritmos mineiros.

Pedro Mestre, de 30 anos, editou em fevereiro o álbum “Campaniça ao despique”, no qual “apresenta o repertório musical alentejano a outras paisagens sonoras”, como disse na ocasião à Lusa. “Estes 20 anos não são propriamente de carreira. Costumo dizer que são antes 20 anos a cantar e este disco concretiza um sonho antigo. Nele, a viola campaniça não é a protagonista, também não é [um disco] de cante alentejano. [Mas é] em volta das tradições que componho algumas músicas e procuro uma atualidade”, disse Pedro Mestre que, desde os 12 anos, se dedica à viola campaniça.

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