“A arte onde o fado se assumiu como canção da cidade [de Lisboa] e teve maior presença foi de facto no teatro, desde o século XIX até ao final do XX”, disse José Carlos Alvarez.

A exposição divide-se pelo Museu do Teatro, no Lumiar, onde ficará o núcleo principal, e o Museu do Fado, em Alfama, e é o corolário de uma série de exposições que abordaram o Fado no Cinema, nas Artes Plásticas e na Moda, explicou Alvarez.

O responsável afirmou que “se é no teatro de revista que o fado tem a mais constante e contínua participação, também marcou presença no teatro musical, comédias, operetas e no teatro dramático, nomeadamente a peça ‘A Severa’, de Júlio Dantas, de 1901".

“É no teatro e com o teatro que o fado se constitui como um domínio musical de particular destaque na memória cultural portuguesa e se vai consolidando, lentamente, enquanto produto cultural de massas”, disse Alvarez, acrescentando que “de certa forma traz-lhe a consagração popular, institucionalizando-o do ponto de vista artístico”.

“O núcleo expositivo principal fica no Museu do Teatro e é constituído por trajos de cena, figurinos, fotografias, adereços, caricaturas, material audiovisual, e gira em volta de quatro espetáculos que foram marcantes, nomeadamente a peça ‘A Severa’, as operetas ‘Mouraria’ e ‘Rosa Cantadeira’ e a revista ‘31’”

A atriz Ângela Pinto foi a primeira a encarnar no palco a personagem “Severa”, de Júlio Dantas, e sobre a qual Palmira Bastos que também a representou, se referiu como “a Dama das Camélias da Mouraria”.

Deste núcleo, José Alvarez destacou dois trajes de cena, um que foi usado por Amália Rodrigues na peça de Dantas em que contracenou com Paulo Renato, no Teatro Monumental, em 1955, e um outro usado por Ivone Silva num quadro de revista.

“Foi na opereta ‘Mouraria’, que teve um enorme sucesso, que Amália se apresentou pela primeira vez toda vestida de negro e se tornou na sua imagem emblemática”, contou Alvarez. A opereta “Rosa Cantadeira” foi protagonizada por Hermínia Silva, que foi uma das fadistas que “mais anos se mantiveram nos cartazes do teatro, nomeadamente no de revistas”. “Da revista ‘31’ saiu um fado celebérrimo que ainda hoje é interpretado, o ‘Fado do 31’”, destacou.

No Lumiar há um outro núcleo “mais vasto que é dedicado aos atores e atrizes que também cantaram o fado, como a Mariamélia, Estevão Amarante, Vasco Santana, José Viana e Raul Solnado, mais recentemente, e de fadistas que também foram atrizes como Maria Vitória, Ercília Costa, Amália, Hermínia, entre outras”. “O fado no teatro tem uma presença mais feminina”, realçou o diretor do Museu.

No Museu do Fado, em Alfama, “vai estar um núcleo mais dedicado ao som, à produção musical propriamente dita”. Neste espaço “estarão disponíveis registos sonoros que podem ser escutados pelos visitantes, partituras, algumas delas ilustradas por grandes artistas plásticos como Stuart Carvalhais, Almada Negreiros ou Carlos Botelho, capas de discos e discos”. José Alvarez realçou que “muitos sucessos do fado partiram dos palcos do teatro”.

A exposição “Fado e o Teatro” estará patente até ao final do ano nos dois museus.

@Lusa

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