Foi a galope do álbum "Nada Pode Me Parar", ao som do tema "Está Chegando a Hora (Abre Alas)", que o concerto teve início, com o rapper a fazer uma incursão pela plateia e a ser recebido de forma calorosa pelo público, que não tardou em levantar-se dos confortáveis assentos do teatro para assistir ao espetáculo de pé. "Eu Já Sabia", "MD2 (A Sigla no Tag)" e "Dangerzone" deram seguimento, em catadupa, a esta primeira visita ao mais recente disco do artista, com o público a mostrar que o facto do álbum ser recente não é desculpa para não se saber as letras na ponta da língua.

Acompanhado por uma banda de seis elementos (baixista, percussionista, guitarrista, DJ, beat-boxer e baterista), Marcelo D2 deu continuidade ao espetáculo com "Vai Vendo", o primeiro clássico da noite, "A Maldição do Samba" e o hino "A Procura da Batida Perfeita", todos eles retirados do aclamado disco de 2003, considerado por muitos a sua obra de excelência. Logo de seguida, um salto a "Eu Tiro É Onda" levou-nos a ouvir a "1967", um exímio retrato autobiográfico que recebeu o devido reconhecimento por parte da audiência. Seguiu-se uma passagem por "A Arte Do Barulho" pela mão de "Ela Disse", "Desabafo" e "Pode Acreditar (Meu Laiá Laiá)", acompanhada em uníssono pelo público.

O regresso a "Nada Pode Me Parar" fez-se com "Você Diz Que o Amor Não Dói" e "Fella", com este último a não ser cantado na íntegra, para desagrado dos nossos vizinhos do lado, que não queriam acreditar que o músico fluminense tinha, de facto, interrompido o tema a meio. "A Cara Do Povo" e "Rio (Puro Seco)" deram seguimento à atuação, intercalados com uma paragem em 1997, em pleno império Hemp, com o tema "Zerovinteum", que levou os mais saudosistas à euforia. "Eu Tenho o Poder" colocou um ponto final na apresentação do novo disco de Marcelo D2 e abriu, ao mesmo tempo, alas para um momento a solo do beat-boxer de serviço.

Chamado ao centro do palco para brilhar - "esse cara é fod* prá caralh*", exclamou a certa altura Marcelo D2 -, Fernandinho Beat Box encheu a caixa torácica e lançou-se num medley que, para além de evocar canções como "Walk", dos Pantera, "Seven Nation Army", dos White Stripes, "Come As You Are", dos Nirvana, e "Iron Man", dos Black Sabbath, ainda revisitou clássicos da MPB como "Malandragem Dá Um Tempo", de Bezerra da Silva, "Maneiras", de Zeca Pagodinho, e "Vou Festejar", de Beth Carvalho, levando o público à euforia. No entanto, foi a relembrar os Planet Hemp, ao som de "Dig Dig Dig (Hempa)", canção que contou com a ajuda na rima de Marcelo D2, que o solo de beat-box de Fernandinho atingiu o apogeu.

A reta final do concerto foi preenchida por um regresso ao afamado "A Procura da Batida Perfeita", à boleia de "Profissão MC", "Pilotando o Bonde da Excursão", que teve direito a uma passagem pela célebre linha de baixo do tema "Rappers Delight", dos Sugarhill Gang, e "Qual é?", canção responsável por um do mais intensos momentos de júbilo da noite. Mas os últimos minutos acabaram mesmo por ser inteiramente dedicados ao samba, a paixão que continua a acompanhar Marcelo D2 na infindável busca pela batida perfeita. O convite foi lançado aos presentes (ao público feminino, claro) e, num ápice, o palco do Teatro Tivoli BBVA transformou-se num sambódromo e viu uma dezena de pessoas a dançar e a transformar esta despedida do rapper numa verdadeira festa.

Texto: Manuel Rodrigues

Fotografias: Marta Ribeiro

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