Já cansados, chegámos ao recinto, onde o calor e o vento se encarregavam de nos dar as boas vindas. Em palco já estavam os Wu Lyf (pronuncia-se Woo Life e Wu Lyf são as iniciais de World Unite! Lucifer Youth Foundation), que vieram a Oeiras apresentar o seu álbum de estreia, "GoTell Fire to the Mountain". Sentido de humor é coisa que não falta aos Wu Lyf, tendo o baixista do colectivo anunciado a sua presença como sendo o Justin Bieber. Num concerto morno - a fadiga e a indiferença da assistência contrastava com agarra do grupo em cima do palco- foram os temas Spitting Blood e 14 Crowns for Me & Your Friends os que mais furor fizeram perante um público quaseadormecido, sem ritmo.

Findo o concerto, a caminho da sala de imprensa, conseguimos ver que a linha da frente do palco Optimus já estava bem preenchida por uma série de teenagers. A culpa era, desta vez, dos norte-americanos Paramore que, para quem não se recorda, conquistaram os mais novos com a sua participação na banda sonora da saga "Twilight".

Já na sala de imprensa, somos alertados para o cancelamento do concerto de Dizzee Rascal no palco Super Bock, na sequência de uns problemasdurante ovoo que o traria a Lisboa. A substituí-lo, no palco secundários do certame, estiveram os portugueses Diabo na Cruz, que iniciaram a sua actuação pontualmente.

«Mais uma voltinha, mais uma viagem» e lá vamos nós de novo para o palco Super Bock onde os portugueses Linda Martini apresentavam as músicas Amor de Combate, Mulher-a-Dias e Amigos Mortais, entre outras, numa actuação marcada, maioritariamente, por melodias instrumentais, cheias de energia e ferocidade. Mais uma vez,grande parte dopúblico optou por assistir ao concerto sentado, em sossego. Entre os mais enérgicos, destacavam-se uns fãs que empunhavam um cartaz, onde se podia ler "Linda, podemos ser amigos mortais?".

Aproveitámos a performance dos Lululemon - vencedores do Optimus Live Act - no palco principal para fazer uma pausa para jantar, ao som dos seus ritmos intrumentais. Seguia-se o concerto dos White Lies.

O trio britânico passou pelo Optimus Alive!11 para apresentar o seu último trabalho, "Rituals", e revisitar algumas músicas do registo anterior, "To Lose My Mind", não desiludindo os presentes que, por momentos, esqueceram a fadiga própria do último dia do festival, levantando o pezinho e abanando a anca como se não houvesse amanhã. Strangers, Death ou A Place to Hide foram as composiçõesde Harry McVeigh e companhia mais aplaudidas. Estão no bom caminho estes rapazes.

Os Foals - mais uma estreia em território nacional com sotaque british -passaram pelopalco Super Bock do festival, para apresentar os seus dois álbuns: "Antidotes" e "Total Life Forever". Em cima do palco, apenas um pano preto de fundo. E a banda, claro está. Tudo bastante simples e informal. A tenda, bem compostinha. O cansaço? Já era!

Blue Blood deu início ao concerto, mas foi com Cassius que a histeria despoletou, prolongando-se com Spanish Sahara. Yannis Philippakis, vocalista do colectivo, andava pelo fosso a distribuir apertos de mão enquanto Electric Boom contagiava os presentes com a sua irresistível presença em palco. Mais um sucesso confirmado.

E foi a correr que nos dirigimos para o palco Optimus, para ver os britânicos Kaiser Chiefs. Longe vai o tempo que estes atraíam multidões, que quase entravam em pânico quando ouviam os primeiros acordes das guitarras do colectivo. Ainda assim, há ainda quem se mantenha fiel ao grupo. O seu disco de estreia continua a ser um mega sucesso, mas, em apresentação no Alive!, estaria o seu quarto álbum de originais, "The Future Is Medieval" - título visível no pano de fundo que decorava o palco.

O cenário natural que acolheu a actuação dos Kaiser Chiefs não podia ser mais agradável: o sol desaparecia eo azul do Tejo sobressaía enquanto Ricky Wilson, vocalista da vanda, percorria todo o palco numa correria frenética, deixando todos um pouco baralhados e confusos.

Everyday I Love You Less and Less, Never Miss a Beat, Modern Way e I Predict a Riot foram algumas das canções que se fizeram ouvir neste final de tarde. Sempre bem disposto, entre saltos, aplausos e caretas para as câmaras, Wilson ainda teve tempo para uma proeza, que deixou todos boquiabertos: correu por entre o público em busca de uma cerveja, deixando os seguranças de cabelos em pé.

Entre nós, fica a esperança de que regressem, quem sabe para o ano, num outro festival.

“Olá, que tal?” pronuncia Tunde Adebimpe, vocalista dos TV On The Radio, deixando todos em estado de loucura. Pouco depois, já centanas de pessoas embalavam os seus corpos ao som das melodias sexys do grupo.

Halfway Home foi a música que abriu o concerto. Quase ininterruptamente, seguiu-se Dancing Choose, que deliciou os presentes. O ambiente estava ao rubro e os TV On The Radio aperceberam-se disso mesmo, conduzindo o concerto de forma divertida eirreverente. No fim, todos estavam de alma cheia e de dança nos pés.

E eis que chegou a hora de um dos momentos chave do festival - a estreia dos Paramore nos palcos nacionais. Por entre o público viam-se t-shirts pintalgadas com "Will You Marry Me?" e miúdas de cara pintada, com maquilhagem carregada, berrante até. Na verdade, o visual de Hayley Williams não diferia muito do da assistência: cabelo vermelho, côr de Fénix, calças pretas e brancas (entenda-se uma perna de cada cor).

Toda a banda esbanja simpatia e um óbvio à vontade em palco. Dão início à performance com Feeling Sorry e I'm Pretty Optimistic. O público, felicíssimo, era o coro ideal, atingindo a perfeição em That's What You Get.

"Não costumamos tocar canções lentas em festivais, mas hoje vamos tocar uma canção de amor,para vos mostrar o quando gostamos de vocês", disse Hayley a certa altura, deixando o público em puro histerismo. The Only Excepction foi a música que se seguiu e, com ela, uma chuva de fagulhas.

Visivelmente alegre, Hayley Williams canta ainda Crush Crush Crush, aproveitando para mostrar alguns passos de dança, fruto dos ensinamentos do púbico. Mas foi com o último tema, Misery Business, que levou toda a plateia ao delírio, ao convidar três membros do público para com ela cantar e tocar guitarra. E tudo termina com uma chuva de confetis.

Já era noite cerrada e a nostalgia começava a invadir o coração daqueles que iniciavam o seu percurso até casa. Mas ainda faltavam algumas horas para o Optimus Alive!11 fechar, definitivamente, as suas portas. Aliás, no palco principal, o inesperado ainda estava para vir!

Uma tela cinzenta carregada de ilustrações a preto, e duas mulheres, uma em cada ponta do palco, suspensas no ar por piercings nas costas, causaram de imediato arrepios e calafrios aos mais sensíveis (alguns taparam mesmo os olhos). É comeste cenárioque sobem ao palco, em grande estilo, os Jane’s Addiction. Perry Farrell surge com um casaco maravilhoso e um lenço que lhe dá um ar distinto, requintado. Já Dave Navarro e as suas tatuagens fazem suspirar a maioria das mulheres que se encontram a assistir ao concerto. Todo o espectáculo transpira sexualidade: desde a atitude provocante das bailarinas, que surgem com mordaças na boa com uma lingerie ousada, à excelente performance do vocalista, que exibe um excelente jogo de cintura.

A setlist é variada e bastante recheada de sucessos, tais como Just Admit It e Just Because. Novos temas, entre eles End To The Lies, são também apresentados. Farrel mostra-se um óptimo orador, pronunciando algumas palavras em portunhol. Numa mão tem o microfone, na outra uma garrafa de vinho.

O público não arredou pé até ao fim do espectáculo, merecendo a sentida vénia que a banda fez, enquanto recordava o hit Jane Says. Tal como entrou, Farrell saíu vitorioso, tendo conseguido captar a atenção de todos, num espectáculo onde o burlesco e a busca do prazer se fizeram sentir até ao último minuto. Um concerto a recordar.

Já era de madrugada, as pernas e os pés já vacilavam, mas ainda faltava umaactuação no palco Optimus. A-Trak e Armand Van Helden, mais conhecidos por Duck Sauce, encerraram a noite, fazendo com que os verdadeiros guerreiros deste Optimus Alive!11 esgotassem as últimas forças. Como era de esperar, o single Barbra Streisand foi o mais aplaudido e celebrado.

A caminho da saída, vê-se que o recinto está, praticamente, deserto. O desejo de missão cumprida conquista o pensamento. Até para o ano.

Texto: Ana Cláudia Silva

Fotografia: Filipa Oliveira

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