João Pedro Mendes dos Santos é o diretor artístico do festival promovido pela Academia de Espinho e revelou à Lusa as razões que justificaram o convite ao artista recentemente falecido.

«Fizemo-lo por três motivos: pelo reconhecimento do que Bernardo Sassetti era enquanto músico, pianista, compositor, improvisador e ser humano; pela qualidade da música de Cole Porter [a explorar no espetáculo]; e porque nos pareceu que Sassetti, Manuela Azevedo e Cole Porter seriam um ‘casamento' perfeito», explica.

O diretor do FIME admite que, pouco antes do desaparecimento do pianista, esse informara a Academia de que «o programa do espetáculo estava já estruturado, as canções selecionadas e os ensaios marcados» e, dado esse avanço na produção, garante que «será certamente uma ideia que retomaremos numa das próximas edições do FIME e em que nos lembraremos com saudade de Bernardo Sassetti».

Quanto à restante programação do «festival de música mais antigo do país», Mendes dos Santos declara que estão presentes «grandes músicos portugueses e estrangeiros, programas interessantes e originais e, além disso, a estreia de uma obra de Eurico Carrapatoso para um quarteto de trompas e a execução, por Romain Garioud, da sonata para violoncelo e piano de Luiz de Freitas Branco».

No caso dos intérpretes a solo, os destaques são para o tenor Fernando Guimarães, os maestros Luís Carvalho e Pedro Neves, o quarteto «Trompas Lusas». No que se refere a artistas estrangeiros, a lista inclui os irmãos Capuçon, o trompista Radovan Vlatkovic, o pianista de jazz Uri Caine, a pianista Gabriela Montero e o violinista Sergey Khachatryan.

Outras apostas são o concerto de abertura do festival, «Monteverdi Meets Jazz» por «La Venexiana», e o espetáculo de encerramento, com os concertos de Villa-Lobos e Piazzolla para harmónica, orquestra e bandoneon, a que se acrescentam ainda duas propostas especialmente vocacionadas para o público infanto-juvenil.

«É verdade que estamos a atravessar momentos verdadeiramente difíceis», reconhece Mendes dos Santos, «mas isso, ao invés de constituir um fator de desmotivação e de abandono, é a oportunidade para, através de criatividade, imaginação e empenho, darmos passos no sentido de uma afirmação maior».

O diretor do FIME defende que «o que distingue os povos, as nações e as regiões são precisamente os costumes, as tradições e a cultura, que, enquanto fruição, tem um papel fulcral para ajudar as pessoas a ultrapassarem barreiras, angústias, medos e frustrações».

A receita para a longevidade do certame será, aliás, a mesma que agora ajuda a combater outras dificuldades. «Se o FIME iniciou em 2007 uma nova fase da sua existência, foi sobretudo devido à inauguração do novo edifício da Academia e do Auditório e à constituição de uma equipa, pequena mas coesa, competente e eficaz, dedicada à organização, produção e direção artísticas», explica Mendes dos Santos.

«O brio, opções estéticas claras e o amor pela música e pela arte fazem o resto», acrescenta.

De 1 a 26 de julho, o FIME de 2012 tem em cartaz um total de 11 concertos. A programação detalhada do certame pode consultar-se em www.musica-espinho.com/fime.

SAPO com Lusa

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