Tupac Amaru Shakur nasceu a 16 de junho de 1971 em Brooklyn, Nova Iorque, filho de dois membros dos Black Panther, uma organização revolucionária afro-americana. A sua mãe esteve inclusive presa enquanto se encontrava grávida do rapper. Foi ainda na sua infância que Tupac se mudou com a família para a Califórnia onde começou a “trabalhar” nas ruas em negócios obscuros.

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Né (Barrako 27) sobre Tupac:

A sua primeira aparição na cena hip-hop deu-se como membro integrante do grupo Digital Underground, embora por um breve período. No entanto foi só em 1991, com o lançamento do seu primeiro álbum 2Pacalypse Now, considerado por muitos um dos seus trabalhos menos “polidos” mas com mais intervenção politica, que Tupac se tornou num dos mais promissores rappers, enquanto ganhava a censura de vários quadrantes devido ao conteúdo explícito das suas letras.

O seu primeiro grande sucesso comercial surge em 1993 com a música I Get Around (vídeo abaixo). A faixa retirada do álbum que atingiu o disco de platina “Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z.”, oferecia músicas como Last Wordz onde se podia ouvir: "United we stand, divided we fall, they can shoot one nigga, but they can't shoot us all".

Em 1994 Shakur colabora com o seu irmão mais velho Mopreme, Syke, Macadoshis e the Rated R no projeto Thug Life e lança o álbum considerado mórbido e violento: “Thug Life: Volume 1”.

Por esta altura a sua carreira como ator também se encontrava em crescimento com uma performance memorável como Bishop no filme “Juice” de Ernest Dickerson e após o seu papel no filme “Poetic Justice” de John Singleton, onde contracenou com Janet Jackson, sendo depois dispensado do filme seguinte de Singleton.

Shakur acabou por tratar das coisas pessoalmente quando foi retirado do estúdio de gravação do filme “Menace II Society”, de Allen Hughes, atacando o realizador, episódio que lhe custou quinze dias de prisão, decorria o mês de fevereiro em 1994.

O rapper conseguiu no entanto acabar o filme sobre basquetebol “Above The Rim”, apesar dos seus problemas com a lei crescerem ao mesmo ritmo que a sua carreira como artista.

Em 1992 é preso quando uma luta onde esteve envolvido resultou na morte acidental de um rapaz de 6 anos, apesar de posteriormente as queixas terem sido retiradas. Em outubro de 1993 é acusado de estar envolvido no tiroteio com duas polícias à paisana (posteriormente ilibado) e uma acusação de sodomia forçada com uma fã, quando já se encontrava em liberdade condicional por alegadamente atacar uma mulher que lhe pedira um autógrafo. Shakur já tinha sido anteriormente preso por andar com uma arma e por assalto a um condutor.

O músico foi mais uma vez alvo de controvérsia surgiu quando a polícia descobriu uma cópia de "2Pacalypse Now" na posse de um homem preso por homicídio.

Shakur foi considerado culpado de abuso sexual em novembro de 1994, mas no dia seguinte foi baleado e roubado na entrada dos estúdios Quad em Nova Iorque. Posteriormente acusou Biggie Smalls ( Notorious B.I.G.), Andre Harrell e Sean "Puffy" Combs de envolvimento no tiroteio que se iria desenvolver na famosa luta entre a costa este e oeste, que acabaria por resultar na morte de Notorious B.I.G. e do próprio Tupac Shakur.

Após o tiroteio, Shakur foi sentenciado a 4 anos e meio de prisão a 7 de fevereiro de 1995. O aclamado “Me Against The World” é lançado enquanto o rapper cumpria sentença, mas mesmo assim atinge o primeiro lugar das vendas nas tabelas americanas. Entretanto Marion "Suge' Knight, presidente da mais bem sucedida editora de hip-hop, Death Row Records, conseguiu uma saída precária de Shakur, que acabou por apenas servir 8 meses das sua pena.

Acabado de assinar pela Death Row, Shakur lança em 1996 o álbum duplo “All Eyez On Me” que também entrou em primeiro lugar na tabela de álbuns mais vendidos. As críticas foram extremamente positivas e o álbum acabou por vender mais de 6 milhões de unidades no primeiro ano, com um single a rivalizar em sucesso, o dueto com Dr.Dre, California Love. Nesse mesmo ano Shakur começou a dedicar-se novamente à sua carreira como ator entrando nos filmes Bullet and Gridlock'd.

Tupac Shakur é abatido a tiro após visionar o combate entre Mike Tyson e Bruce Seldon na MGM Grand em Las Vegas a 8 de setembro. O artista acabaria por falecer 5 dias mais tarde.

Existem várias teorias sobre o seu assassinato, incluindo a de que teria sido o rapper Notorious B.I.G. a preparar o atentado após Shakur se ter gabado de ter dormido com a sua mulher, Faith Evans. As rivalidades entre a costa este e oeste continuaram após a sua morte, resultando na morte de Notorious B.I.G em circunstâncias similares 6 meses depois. Orlando Anderson, um dos principais suspeitos da morte de Shakur foi também morto a 29 de maio de 1998.

Desde a sua morte que o legado gravado por Shakur deu origem a lançamentos a titulo póstumo como por exemplo o álbum “R U Still Down? (Remember Me)“, lançado pela nova editora da sua mãe e que contém material não lançado entre 1992 e 1994.

Maze (Dealema) sobre Tupac

Quando me foi posto o convite para escrever estas linhas sobre Tupac Shakur, a propósito do aniversário do seu desaparecimento, reconheço que fiquei bastante reticente, e de seguida expliquei que Tupac não teria sido uma referência assim tão marcante para mim como Mc, e por esse motivo não seria a pessoa certa para a tarefa.

Mas o que me levou a aceitar escrever estes parágrafos, foi precisamente esse motivo e a vontade de tentar entender como é que um dos maiores rappers de todos os tempos, não me ter influenciado assim tanto.

A principal razão a meu ver é a minha tomada de partido na rivalidade que existia na altura entre Costa Este e Oeste, pelo som a ser feito na Costa Atlântica dos Estados Unidos. Foi a minha identificação com o estilo nova-iorquino e em especial com Biggie Smalls que me afastou do som feito por este Mc que era na altura a cara da Costa Oeste, apesar de nascido em Nova Iorque.

Apesar da minha identificação com o som de Nova Iorque, todo aquele conflito e tensão entre costas fez-me querer ouvir um pouco do trabalho de Tupac, reconheço que mais para estar atento à "telenovela" e entender as "bocas" que eram dirigidas aos Mc's que tanto idolatrava, do que por me rever na luta de Tupac ou mesmo no estilo de rap dele. Daí ainda ter prestado alguma atenção a Thug Life: Volume 1, Me Against the World ou All eyes on me.

Apesar de musicalmente estar longe de ser um fã de Shakur, na altura devorava todos os filmes negros que chegavam até Portugal e lembro-me de ter gostado bastante das suas interpretações como actor em Juice, Above the Rim ou Poetic Justice.

Depois da sua morte e da de Notorious B.I.G. dediquei um pouco mais de tempo aos discos de Tupac, e reconheço que apesar de não ser a tal influência marcante na minha escrita ou no meu flow, ele era sem dúvida dotado dum estilo original e um Mc de grande talento, que dominava totalmente a arte, mas mais do que um tecnicista era o conteúdo das suas rimas e todo o activismo (herdado dos seus pais, ambos Black Panthers) que transpirava das suas palavras, que me vez aprofundar a sua obra. Lembro-me de ficar rendido ao seu livro de poemas "The Rose That Grew From The Concrete" e ter posto de parte todo o preconceito que a batalha entre costas tinha gerado em mim no fim dos anos 90.

Tupac será para sempre um ícone do Rap, um herói para a comunidade negra, ganhou um estatuto mítico após a sua morte que irá manter até ao dia em que regressará como muitos fãs de teorias da conspiração juram que estará para acontecer!

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