Eram quase 21h30 quando as luzes do teatro S. Luiz baixaram e se começou a ouvir Mirocas Paris na percussão, juntamente com Sara, que subia ao palco naquela que prometia, desde o primeiro momento, ser uma noite especial.

O concerto abriu com “Mana Fé” e no palco apenas se viam as sombras dos artistas. Envolta neste mistério entra então a guitarra de Luiz Caracol, o baixo de Hugo Aly e a bateria de Ivo Costa. A cortina cai instantes depois e os músicos revelam-se a um público expectante.

A voz de Sara hipnotiza e embala a plateia, que a segue e ouve no mais profundo silêncio, só interrompido pelos aplausos no final dos temas. Respeito e muito carinho nesta recepção em Lisboa, no teatro S. Luiz.

Já lá vão 20 anos desde que Sara Tavares se deu a conhecer no programa de televisão “Chuva de Estrelas”. E isso nota-se na forma como lida com o público, como comunica e arranca sorrisos.

“20 anos passaram muito rápido, nem deu para perceber”, começou por dizer a cantora antes de apresentar os seus parceiros de palco, que a acompanharam de forma brilhante esta noite, num serão que contou também com vários convidados especiais.

Aline Frazão foi a primeira a subir ao palco e juntar-se a Sara Tavares. Juntas interpretaram “Lisboa Kuya”, revelando grande sintonia.

A surpresa da noite veio pela voz de uma menina chamada Filipa Ferreira, que entrou em palco e cantou “Chamar a Música”. Filipa quase roubou o público de Sara, merecendo mesmo os primeiros aplausos de pé da plateia.

Houve tempo em seguida para um medley com alguns dos grandes sucessos da carreira da cantora: “Voa Borboleta”, “Eu Sei...”, “Nha Cretcheu”, “Escolhas” e “Solta-se um beijo”.


E quando se celebra o passado, nada melhor do que trazer algo novo e lançar as bases para o que aí vem. Sara apresentou “Tchon Bom”, um tema que provavelmente fará parte do seu novo disco.

Foi então que entrou o terceiro convidado da noite, Dino Santiago. Numa atuação de arrepiar, Dino e Sara cantaram “Di Alma”, do álbum “Xinti”.

Sara Tavares convidou depois o público a sentar-se “na sua sala de estar”. A meia luz, num ambiente intimista, a cantora sentou-se ao lado de bons amigos para protagonizar alguns dos momentos mais emocionantes da noite.

O primeiro foi Luiz Caracol, cuja cumplicidade com Sara é inegável. Depois foi Lokua Kanza, numa interpretação mágica do tema “Wapi Yo”, que marcou a noite. E por fim, Carlão, ex–Da Weasel, sobe ao palco mostrando que na música não há limites, há sonhos e vontade de fazer diferente.

Do ambiente intimista para a festa, Sara desafiou o público a perder a vergonha, saltar das cadeiras e assumir o “Balancé”. Se até aqui a reverência mostrava o quão encantada a plateia estava, agora eram as vozes e a dança que davam testemunho disso.

A festa parecia ter chegado ao fim ao som de “Bom Feeling”, mas o público recusou-se a sair da sala e Sara voltou, não para um, mas para dois encores. No primeiro cantou-se “One Love” em coro, no segundo foi a música “Problema de Expressão”, dos Clã, que ditava o fim desta noite.

A música de Sara Tavares sabe aos quatro elementos da natureza. Tem a pureza da água, a leveza do ar, a textura da terra e o calor do fogo.

Foi uma noite perfeita, uma celebração à medida da artista que subiu ao palco do S. Luiz para encontrar uma casa esgotada e a quem o público carinhosamente chamou de “mágica”.

@Edson Vital e Inês Alves/SAPO CV

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