A passagem dos SOJA por Lisboa tinha como mote a apresentação de "Amid The Noise and Haste", o mais recente álbum, editado em meados de agosto, que serviu, igualmente, de ponto de partida para o concerto. "Tear It Down" foi a primeira, depois de um fabuloso prefácio garantido pelos Mellow Mood (rematado com uma incendiária "Dance Inna Babylon"), seguindo-se "I Don't Wanna Wait" e "Mentality".

Não foi preciso esperar muito para que os SOJA nos confirmassem que esta não seria uma repetição daquilo que aconteceu na última passagem pelo festival alentejano. Jacob Hemphill, vocalista e frontman, mostrou-se bem mais comunicativo, com vontade de encurtar a distância entre plateia e palco; Bob Jefferson, o carismático baixista, puxou pelo público com as suas habituais demonstrações de boa forma física (principalmente nos temas em que assume a voz principal, como "To Whom It May Concern"), enquanto, na outra ponta do palco, a secção de metais tratou de ensaiar coreografias.

Se há coisa que define bem os SOJA, é a capacidade que têm de se transformarem ao vivo, e, por consequente, darem nova vida às suas músicas, como é o caso de "To Whom It May Concern", que, a dada altura, explora sonoridades dub, ou a própria "You and Me", que, perto do final, adquire uma textura assumidamente rock, quase a beliscar os campos do heavy metal - artilharia pesada, essa, que acabaria por marcar presença nos últimos versos de "Here I Am", a última do concerto, onde houve espaço para tudo: riffs possantes, a recordarem o heavy dos anos 70 (a dada altura, antes do habitual momento samba do espetáculo, Jacob não se privou de evocar na sua guitarra o clássico "Whole Lotta Love", dos Led Zeppelin), headbanging, por parte de Bob Jefferson, e apontamentos de pedal duplo na bateria de Ryan Berty. Quem entrasse no Meo Arena nesta última etapa do concerto nunca iria acreditar que se tratava de um concerto de reggae.

Para além das canções do novo álbum ("Wait", "Shadow", "Your Song" e uma muito celebrada - com direito a acompanhamento em uníssono - "I Believe" foram outras das músicas apresentadas), os SOJA interpretaram os habituais clássicos, como "Not Done Yet", "Tell Me", que contou com a participação do português Richie Campbell, recebido em palco com uma tremenda ovação (houve tempo para uma passagem por "That's How We Roll"), "Rest of My Life" e "True Love", uma das mais belas músicas que o reggae contemporâneo trouxe ao mundo, que, infelizmente, não tem feito parte dos alinhamentos dos últimos concertos do coletivo. Dêem-se por realizados aqueles que tiveram oportunidade de a ouvir ontem à noite - ainda para mais, em dose dupla: normal e acústica -, pois, se a história se repetir, adivinham-se mais uns anos de jejum.

Texto: Manuel Rodrigues

Fotografias: Diogo Oliveira

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