“O Teatro Thalia, nas Laranjeiras, é soberbo, por dentro é deslumbrante, e até acusticamente é muito interessante”, disse à Lusa o maestro Pedro Amaral, diretor artístico e pedagógico da Metropolitana.

Do ponto de vista acústico, Pedro Amaral disse que o teatro “é excelente para obra de música de câmara, obras de música de câmara alargada, e o repertório clássico”, referente ao tempo do Conde de Farrobo, que mandou contruir o edifício, no primeiro quartel do século XIX.

Amaral afirmou que não tem a certeza de que “seja adequado à grande música sinfónica” (o teatro foi inaugurado em 1825), daí a programação contemplar apenas duas sinfonias de Beethoven, a sétima e a terceira, e um poema sinfónico de Saint-Saens, “Faetonte”.

O maestro realçou que “são muito poucas as peças” em que se “vai expandir a orquestra” e vai fazê-lo “quase do ponto de vista experimental”. “Vamos ver como funciona aquele espaço. A peça mais larga que temos, do ponto de vista instrumental, é o ‘Faetonte’, de Saint-Saens, que é uma peça de dez minutos - o nosso risco é muito moderado, é controlado, digamos assim”.

Amaral realçou que “interessa” à OML atuar nesta zona da cidade de Lisboa, onde foram raros os concertos em que se apresentou, e também “dar vida a um novo teatro”, mas não ocupá-lo de uma forma definitiva.

No próximo sábado, às 21:30, o programa do concerto inaugural é constituído pelo Septeto, opus 20, que Beethoven dedicou à imperatriz Maria Teresa de Bourbon, imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico, e o Octeto, opus 20, que Mendelsshon dedicou ao seu amigo Eduard Rietz.

A peça de Beethoven será interpretada por um ensemble constituído por Jorge Camacho (clarinete), Bertrand Raoulx (fagote), Jérôme Arnouf (trompa), Diana Tzonkova (violino), Joana Cipriano (viola de arco), Mariana Ottosson (violoncelo) e Ercole de Conca (contrabaixo).

Um conjunto constituído pelos violinistas Alexêi Tolpygo, Ágnes Sárosi, José Teixeira e Adrian Florescu, os violetistas Irma Skenderi e Valentin Petrovm, e os violoncelistas Ana Cláudia Serrão e Peter Flanagan, interpreta a peça de Mendelsshon.

A programação Clássica do Thalia prolonga-se até julho de 2014, sempre aos sábados à noite, e inclui peças de Schubert, Berio, Bomtempo, Knecht e Myslivecek, entre outros.

O Teatro Thalia foi mandado construir pelo 1.º Conde de Farrobo em 1820, tendo sido inaugurado cinco anos depois. Foi palco de várias óperas e concertos e das excêntridades do conde Joaquim Pedro Quintela.

O teatro foi inaugurado com a ópera “II Castello de Spiriti”, de Mercadante. Em 1862, o teatro ardeu e, 150 anos mais tarde, em 2012, foi recosntruído sob o traço do arquiteto Gonçalo Byrne.

O Teatro Thalia está entre os nomeados para o Prémio de Design 2013, do Museu do Design de Londres.

Referindo-se à temporada da OML, Pedro Amaral, que lidera a programação artística e a componente pedagógica da Metropolitana, desde junho passado, rendendo no cargo o maestro Cesário Costa, referiu que, à orquestra, falta um espaço para se apresentar regularmente, mas o Teatro Thalia não a vem colmatar.

“Falta-nos um espaço de performance, o que não pode inibir uma temporada sólida. Não podemos ter uma temporada num só espaço, pelo menos enquanto não tivermos o nosso espaço”, disse o maestro e compositor Pedro Amaral, diretor artístico e pedagógico da Metropolitana.

A Temporada da OML, em Lisboa, divide-se em “três pilares”: a programação Clássica no Thalia, a Barroca, no Palácio Foz, e a Moderna, no Centro Cultural de Belém, que tem sido um palco regular de apresentação da orquestra.

Pedro Amaral realçou que a orquestra não esquece as ligações a autarquias, além da de Lisboa, e afirmou que há compromissos na área metropolitana de Lisboa, como Almada ou Montijo, como em regiões mais distantes como Leiria ou Setúbal.

Pedro Amaral, sem adiantar pormenores, afirmou que essas programações “estão já fechadas”. “No primeiro semestre do próximo ano, a OML atuará em três concertos em Setúbal, por exemplo”, disse.

@Lusa

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