A maior boyband de sempre deu o pontapé de saída à sua digressão europeia naquela a que apelidaram de “a bela cidade de Lisboa”. Um Campo Pequeno completamente cheio recebeu os cinco – agora – homens; e os gritos, lágrimas e coros provaram que os fãs irão continuar a voltar para os ouvir. Uma noite intensa, para recordar, que trouxe uma promessa antes do cair do pano: “voltaremos em breve”.

Vinte anos depois do início da banda, o quinteto regressou completo para cerca de duas horas de música numa viagem alucinante pelos hits que marcaram várias gerações.

Com um público dos 8 aos 88 num espetáculo diferente, a primeira parte do concerto ficou a cabo dos The Exchange, um grupo à capella que levou a audiência num passeio à volta do globo. Com uma primeira parte recheada de canções conhecidas, de “Wavin’ Flag” a “I Feel Good” passando por “Can’t Hold Us”, inúmeros jogos com o público e até um “Oh!” quando anunciaram que iriam abandonar o palco, os norte-americanos chegaram e conquistaram.

O tempo entre as bandas foi preenchido com cânticos associados ao futebol mas com referências ao grupo, gritos e disputas – como as claques – e ainda a famosa onda que tomou conta do público.

Porém, foi com a chegada dos meninos de ouro dos anos 90 que o Campo Pequeno implodiu. Gritos ensurdecedores, muitas lágrimas e memórias. E desengane-se quem achar que o público que enchia a sala eram mulheres entre os vinte e os trinta anos de idade: para onde quer que olhássemos vários homens que acompanhavam esposas, namoradas ou amigas gritavam as letras de trás para a frente. Isto sem contar com a adorável avó que, cantando a plenos pulmões, acompanhava a neta de não mais de seis anos.

Com os ecrãs a mostrarem várias imagens: de luas a planícies, os “rapazes” brincavam constantemente com o público distribuindo beijos e acenos. Ainda apostando nas coreografias sincronizadas e remexendo no baú das memórias não deixaram. Nem de brincar com a mesma cumplicidade de há vinte anos.

Os mesmos passos, as míticas danças e até os movimentos sensuais provaram que os cinco ainda têm muito para dar. E, para provar tudo isso, qualquer coisa parecia ser motivo para interagir com a audiência: de cuecas em palco a cachecóis, bandeiras de Portugal a lacinhos da Minnie. A imagem que transparecia era a de que tanto o quinteto quanto o público retornavam aos seus anos de puberdade.

AJ, Brian, Howie, Kevin e Nick, tomaram ainda o palco sozinhos, em algumas pausas, apenas para conversar. Falaram dos antigos álbuns, de como Portugal e a cidade eram bonitas, de como a noite estava a ser maravilhosa e nenhum deles perdeu a oportunidade de agradecer o apoio e amor incondicionais ao longo das últimas duas décadas.

Kevin acrescentou ainda o quão era bom estar de regresso aos palcos e à companhia dos colegas.

Nos interlúdios, enquanto trocavam de roupa, os ecrãs mostraram uma divertida entrevista onde perguntaram quem era o mais sexy, a maior diva, entre outras coisas e o trailer do filme-documentário: “Backstreet Boys: The Movie”, com data de estreia prevista para este ano.

Deixando de lado as loucuras megalómanas de outras digressões, os rapazes provaram que, com o tornar-se homens, desvenderam o segredo de algo importante: o equilíbrio perfeito entre a loucura e cor da pop e a entrega e intimidade de um showcase. Talvez por isso músicas como “10,000 Promises”, “Madeleine” e “Quit Playing Games (Whit My Heart)” tenham sido cantadas em acústico entre guitarras, teclados e cajons – e algumas felizardas que, a convite dos cantores, se sentaram no palco entoando as melodias e balançando os braços.

E, não podemos deixar de destacar, a humildade que pauta os cinco. Ontem, chegaram mesmo a interromper o concerto chamando a atenção para uma fã que, no meio da multidão, se estava a sentir mal. «Espero que estejas melhor», acrescentou AJ antes de o quinteto retomar a música.

«E como é que se diz sexy em português?», perguntou o Nick. «Sexy», respondeu a plateia. Centenas de gargalhadas ecoaram no recinto. Foi sempre assim: um reencontro divertido e caloroso. Quase no final do concerto, chegou-nos o single – que batiza o novo álbum – “In a World Like This” e a este, talvez uma das mais lendárias músicas associadas ao quinteto, “I Want It That Way”. Por todo o Campo Pequeno, centenas de folhas brancas com a palavra “OBRIGADO” se elevaram e o sorriso simpático e surpreso dos cinco foi inegável.

Howie e Brian chegaram a roubar algumas folhas e a correr pelo palco, acenando ao público, num simpático e silencioso agradecimento pela lealdade. Para o encore ficaram reservadas “Everybody (Backstreet’s Back)” e, como já habituaram os seus seguidores, o concerto foi fechado a chave de ouro com “Larger Than Life”: a canção composta para os fãs.

O “Obrigado” voltou a encher o pequeno Campo Pequeno e, visivelmente, emocionados prometeram um regresso para breve.
«Há tantas pessoas que querem que falhemos mas continuamos aqui vinte anos depois. Isso prova que estamos a fazer alguma coisa bem», foram as palavras de AJ que não nos saíram da cabeça ao abandonarmos o recinto. Nem as palavras, nem a correria do mesmo e de Nick para convidar todos para a After Party e agradecer o concerto, os sorrisos de todos à nossa volta, as gargantas roucas, as maquilhagens borradas e a certeza de, que nesta altura, não são só as boy bands recentes que continuam a arrancar suspiros e a desencadear loucuras.

Quanto aos Backstreet Boys; a esses, a idade não lhes pesa tanto como levam a crer e, é indiscutível que, como nos cantam em “Everybody”, continuarão a voltar enquanto houver música/“As long as there'll be music, we'll be comin' back again”.

Texto: Raquel Cordeiro
Fotos: Ana Rita Santos

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