O programa do concerto será todo preenchido com bandas sonoras de séries de animação, e Susana Menezes, a diretora artística do novo teatro municipal, dirigido exclusivamente a crianças e jovens, definiu-o à agência Lusa como “um momento em que adultos e crianças vão poder estar a mostrar coisas uns aos outros, e a ouvir em conjunto.”

No alinhamento do espetáculo dirigido por Bruno Pernadas, estão temas de séries animadas ou de filmes como “A pantera cor-de-rosa”, do compositor norte-americano de origem italiana Henry Mancini (1924-1994), de “Os Simpsons” (Danny Elfman), de “Dartacão e os três moscãoteiros” (Guido e Maurizio de Angelis com Katsuhisa Hattori), de “O incrível mundo de Gumball” (Ben Locket), “Os piratas da terra do nunca” (Loren Hoskins, Kevin Hendrickson, Keith Horn), ou “Spongebob” (Steve Belfer, Derek Drymon).

No palco do LU.CA, além da direção musical e da guitarra elétrica de Bruno Pernadas – que, em 2016, editou “Worst Summer Ever” e “Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them”, os mais recentes álbuns em nome próprio – vão estar Paulo Santos (no vibrafone), Pedro Pinto (contrabaixo) e Desidério Lázaro (saxofone e clarinete).

O concerto incluirá ainda uma cantora, uma decisão “muito recente” da diretora artística do LU.CA, por considerar que era “importante” e mesmo “incontornável” que algumas das músicas que vão ser interpretadas tivessem voz. “Até para criar mais empatia com o público” já que a iniciativa é dirigida “a mais pequeninos”, referiu.

A iniciativa foi gizada como “se fosse a última matiné de verão” já que, após o concerto, pais e filhos poderão dançar ao som do DJ e radialista Pedro Ramos e do vocalista dos Capitão Fausto, Tomás Wallenstein, para que crianças e adultos possam descobrir novas formas de dançar, acrescentou Susana Menezes.

“Ao colo, em roda, sem mãos, aos pares, aos saltos e até com os pés no ar”, sublinhou.

A iniciativa decorre no último fim de semana antes da abertura das aulas e Susana Menezes considera que servirá para mostrar aos mais pequenos que as “bandas sonoras não vêm do nada”, e que, ao ser sucedida por um momento de dança para adultos e crianças, “certamente contribuirá para amenizar” a entrada num novo ano letivo.

Teatro – a primeira peça da nova temporada do LU.CA, “Um tigre-lírio”, estrear-se-á no dia 15 -, dança contemporânea, poesia, cinema, miniconferências, novo circo e um espetáculo de marionetas também compõem a programação, de setembro a dezembro, do LU.CA, que, segundo a diretora artística, consiste numa espécie de “compilação” de propostas que tinham acontecido no Teatro Municipal Maria Matos, e que estão agora a ser repostas.

“No fundo, estamos a compilar dez anos de programação para crianças e jovens, e estamos a fazer um transporte desse programa para o LU.CA”, disse, considerando ser esta uma forma de dar aos artistas e projetos que criaram “outro momento, outro espaço, com outras características e outras dimensões”.

“É, de facto, oferecer a estes artistas, que estiveram connosco e que fizeram projetos muito interessantes numa sala muito pequenina – é dar-lhes agora a possibilidade de apresentarem os seus projetos numa sala maior e com melhores condições”, observou.

Ao mesmo tempo, é também uma oportunidade para “rever propostas” que ocorreram “há bastante tempo” e que “algum público pode ter perdido”, tendo agora a “oportunidade de rever”, argumentou.

Questionada sobre se esta foi uma forma mais económica de programar, Susana Menezes disse que não, sublinhando que se trata sobretudo de, por um lado, voltar a disponibilizar ao público projetos “muito válidos, que implicaram uma série de artistas que têm feito um trabalho bastante consistente ao nível da criação para crianças”.

E, por outro lado, este ser um “segundo momento” para mostrar o que foi o programa para crianças e jovens do Maria Matos, que foi “crescendo, crescendo”, e que o executivo municipal “achou que devia ter um espaço próprio”.

“E, portanto, esta [programação] será sempre uma ampliação daquele programa, um passo seguinte, uma segunda parte”, agora revista e ampliada aos olhos do que se faz hoje e das necessidades que temos no que são as relações com a arte contemporânea, que são múltiplas, plurais e em várias áreas”, sustentou.

“Retrato falado”, uma iniciativa de artes plásticas com João Fazenda, de 30 de outubro a 11 de novembro, “Bianca Branca”, um espetáculo de dança de Leonor Keil, de 14 a 18 de novembro, uma oficina de teatro intitulada “O meu nome é LU.CA, Teatro LU.CA”, de 7 a 21 de dezembro, e a continuação do projeto “Biblioteca do público – Livros espetaculares (Mesmo!)”, com curadoria de Sara Amado (sempre que há espetáculo), contam-se entre a programação do LU.CA, até dezembro.

A programação visa dotar crianças e jovens de “uma coleção de experiências” que lhes mostre “que há várias perspetivas de ver, relacionar e interrelacionar as coisas e a arte”, tornando-as mais “sabedoras, com mais sentido crítico” e, com “mais liberdade para fazerem as suas escolhas”, concluiu Susana Menezes.

Inaugurado a 01 de junho último, o LU.CA é o novo teatro da Câmara de Lisboa vocacionado para crianças e jovens, que substitui e complementa a programação existente desenvolvida até à passada temporada no Teatro Maria Matos, cuja gestão será concessionada no âmbito da reorganização dos teatros municipais de Lisboa, anunciada em dezembro de 2017 pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto.

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