O saxofonista e compositor de jazz Carlos Martins apresenta, na sexta-feira, 12 de fevereiro, na Culturgest, em Lisboa, o seu novo álbum, em que “há uma presença ausente de Bernardo Sassetti”, pianista com quem trabalhou durante 25 anos, disse o músico.

O álbum “Carlos Martins” é constituído por 11 composições, todas de autoria do saxofonista tenor, à exceção de "Chant of Khali", de Bernardo Sassetti (1970-2012), tendo sido gravado por um combo formado pelo saxofonista Carlos Martins, o baterista Alexandre Frazão, o contrabaixista Carlos Barretto e o guitarrista Mário Delgado.

“São músicos que tocam muito bem, independentemente de ser amigos deles há muitos anos, e é também por serem bons músicos que sou amigo deles. Há uma musicalidade que nos junta, e há uma ideia que está sempre presente. que é a de que aprendemos uns com os outros. Mas também é verdade que há aqui a falta do piano do Sassetti. Nós éramos um quinteto e é nesta fronteira que nos estabelecemos. Um elemento que não quisemos substituir”, disse o compositor à Lusa.

Carlos Martins, que compõe ao piano, acrescentou que, “mais tarde ou mais cedo”, irá buscar um pianista, “até porque há dois ou três muito bons em Portugal, e o Bernardo [Sassetti] não é insubstituível”, mas reconhece que “era um tipo genial”.

“Ele [Sassetti] escreveu os acordes mais extraordinários para a minha música, indicações que nem a minha música tinha, ou tinha indicações básicas, que ele transformava em momentos harmónicos luminosos, absolutamente fantásticos”, referiu à Lusa.

Referindo-se ao disco, Carlos Martins afirmou: “O que há, é uma vontade grande de dizer assim: se nós tivéssemos uma influência mediterrânica e atlântica mais forte, e usássemos a nossa luminosidade fadista, com todos os movimentos trágicos, e ao mesmo tempo históricos da nossa vida, como é que seria”.

“Esse som, no fundo, resulta desta perceção de uma realidade hermenêutica, que vivo intensamente, que é uma alegria triste, uma alegria nostálgica, mas havia necessidade de pôr uma luz mais cá fora, que fosse a nossa luz”, acrescentou.

Segundo o músico, o jazz europeu, que aprecia, “está com uma tendência demasiado melancólica, quase esquizofrénica, ou tem imensas notas que não se percebe o que é, com músicos que têm outras vivências, nomeadamente em Nova Iorque, ou é um jazz muito europeu, muito fechado, muito contemplativo”.

O álbum “Carlos Martins”, que abre com “Suave luz”, “faz a ponte entre uma exaltação melódica de alguns temas e uma passagem para algo mais telúrico, mais ritual e rítmico, provavelmente onde chegará o próximo disco ou a minha música”, segundo o compositor.

“É – sublinhou Carlos Martins – uma tentativa prática da difícil arte de guardar o silêncio. É mais fácil tocar muitas notas”.

O músico realçou o “lado cinematográfico, um lado luminoso e até da ação, meio teatral, ligado ao sul ou aos 'suis' de todos, e é aí que a minha vida espiritual se alimenta. É uma homenagem sentida a todo esse mundo que existe para mim, mas que nos é difícil compreendê-lo, porque a vida nos pede para seremos demasiado rápidos”.

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