Mais de 40 artistas portugueses apelaram, numa carta aberta, ao cantor Conan Osíris para que não vá a Israel em maio representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção, “respondendo ao apelo do povo oprimido palestiniano”.

Na sua crónica no Diário de Notícias, Adolfo Mesquita Nunes, antigo vice-presidente do CDS, criticou quem tem apelado ao boicote ao festival da Eurovisão. "O que lhe está a ser pedido é que faça um boicote a Israel, que não vá representar Portugal por ser em Israel, que não se desloque a Telavive por ser Israel, porque Israel é Israel e é Israel", escreveu.

"Ir a Israel, ao que parece, é legitimar o governo de Israel, a política de Israel, como se em Israel não houvesse gente, gente que é independente dos governos, que não é responsável pelo que é feito pelo Estado, como se Israel não fosse a única democracia do Médio Oriente, onde há oposição, onde há movimento pacifista, onde há imprensa livre, onde mulheres são tratadas por igual, onde as minorias têm direitos - tudo coisas inexistentes nos países vizinhos que nunca ninguém boicota", acrescentou.

Para Adolfo Mesquita Nunes, "a ida de Conan a Israel é a representação de Portugal num dos eventos mais tolerantes do mundo, um evento que força os países organizadores a tolerar e a permitir atitudes e comportamentos que alguns deles normalmente proíbem".

"A ida de Conan não significa qualquer legitimação de qualquer ato de Israel, assim como se Conan tivesse optado por não concorrer ao Festival RTP na possibilidade de, ganhando, ter de ir a Israel não significaria uma legitimação de qualquer ato terrorista contra Israel", frisou.  "Deixem o Conan em paz", pediu ainda.

Os subscritores da carta consideram que Conan Osíris conseguiu “deslumbrar Portugal” com a sua “música e honestidade”, e pedem-lhe que não deixe que Israel use a sua “arte para branquear os seus crimes contra o povo palestiniano”. “Junta-te a milhares de artistas de todo o mundo que se expressaram contra a Eurovisão em Israel”, pedem, garantindo que o apoiarão: “estaremos contigo”.

Os artistas alertam o músico que “a escassos minutos” de onde vai decorrer o Festival Eurovisão da Canção, “vivem ainda 2,7 milhões de palestinianos aprisionados por um muro de apartheid ilegal”.

Entre os subscritores da missiva estão o diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, músicos como José Mário Branco, Chullage, Francisco Fanhais e Vítor Rua, a realizadora Raquel Freire, escritores, entre os quais Alexandra Lucas Coelho e Afonso Cruz, a coreógrafa e bailarina Olga Roriz, artistas plásticos como Joana Villaverde, e atores, entre os quais Maria do Céu Guerra, Pedro Lamares e Sara Carinhas.

Para os mais de 40 artistas que assinam a carta, Conan Osíris marcar presença no concurso “seria ignorar o cerco ilegal que Israel mantém a 1,8 milhões de palestinianos em Gaza, negando-lhes os direitos mais básicos”.

“Entre 41 quilómetros de comprimento por seis a 12 de largura, os habitantes vivem com água racionada, estão cercados por muros e soldados, são agredidos e assassinados de forma impune. A ONU considera que Gaza é ‘inabitável’”, recordam.

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