"Dois Filipe, Dois Pianos", o concerto que junta os músicos em palco, está marcado para hoje à noite, no Teatro Municipal São Luiz, e sucede aos dois mini-concertos de quinta-feira, só para crianças, que esgotaram de imediato.

Em entrevista à agência Lusa, num intervalo entre ensaios e processo criativo, Filipe Melo e Filipe Raposo referiram-se a este projeto conjunto como uma forma de dar ao público o que eles próprios receberam e aprenderam com outros pianistas.

Para o concerto de hoje à noite, "temos um alinhamento feito que começa com composições da nossa autoria, vai passar pela parte clássica, porque ambos estudámos musica clássica e estudámos jazz". "Estas três áreas, composição, clássica e jazz vão estar presentes", explicou Filipe Raposo.

Serão estreadas composições inéditas e serão convocadas referências da música portuguesa, como José Afonso. "É uma espécie de memória coletiva portuguesa que convocamos neste concerto", disse Filipe Raposo.

Filipe Melo e Filipe Raposo são da mesma geração, ambos pianistas, orquestradores, com trabalho autoral editado e que se repartem também pelo ensino e por outras ramificações artísticas, como por exemplo o cinema.

Avançam para esta parceria lembrando-se da importância que outros dois artistas tiveram no percurso deles e que também tocaram e gravaram em duo há quase 15 anos: Bernardo Sassetti e Mário Laginha.

"O que podemos encontrar [neste concerto] é uma forma de conseguir a nossa própria personalidade. Vai ser diferente do que já houve e possivelmente aumentará um espólio. A questão dos 'Dois pianos', do Bernardo [Sassetti] com o Mário Laginha, foi muito importante nas nossas vidas. Somos uma geração diferente que foi inspirada por essa e queremos continuar a fazer música da melhor maneira, como eles fizeram, e como intérpretes mais do que como ouvintes", sublinhou Filipe Melo.

E Filipe Raposo acrescenta: "Há uma coisa muito bonita na vida que são as dádivas. Eu sinto plenamente que recebi muito deles. Houve uma dádiva sem eles saberem (...) Esta dádiva tem de ser retribuída e é aqui que entramos neste cenário musical e é altura também de retribuir".

A atuação que ambos farão para crianças, no âmbito do serviço educativo do São Luiz, será também em torno da música improvisada, mas com uma narrativa que lhes permitirá explicar ao público as motivações daquilo que fazem.

"Vamos deseducar as crianças para que daqui a uns anos se tornem músicos de jazz", decidiu Filipe Melo, enquanto Filipe Raposo acrescentou que querem estimular uma sensibilidade para as artes, recordando ambos que a música deve ser, comos eles viram na infância e adolescência, "uma brincadeira, um jogo e uma forma de dialogar sem palavras".

Depois deste concerto no São Luiz, os dois pianistas esperam fazer outros espetáculos e vão gravar um disco.

"As associações musicais são como as relações, é tudo muito mais rápido, menos profundo e eu, tanto na música como nas relações, tenho tentado fazer coisas mais significativas e duradouras. (...) Uma das coisa que me motivou aqui foi que não seria um concerto pontual, mas algo que continuará", disse Filipe Melo.

Filipe Raposo descreve a parceria como um "ciclo, um eterno retorno, do conhecimento e da música": "Estar em palco de certa forma é retribuir".

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