O festival começou “como uma festa de amigos, em 2009”, a que se seguiu “uma primeira edição mais a sério, em 2010”, e foi realizado, nos últimos anos, naquele concelho alentejano, lembrou hoje à agência Lusa Miguel Carrelo, mentor do projeto.

A iniciativa, coproduzida pela empresa Chaparro Inquieto, de Miguel Carrelo, e pela associação O Espaço do Tempo, do coreógrafo Rui Horta, já não teve lugar em 2016, mas, este ano, regressa para “a despedida”.

“Este festival vai ter o seu fim, com esta edição. Como tudo na vida, foi um ciclo muito interessante e estimulante, mas consideramos que, agora, chegou ao fim”, disse à Lusa Miguel Carrelo, deixando no ar a hipótese de, no futuro, poder vir a desenvolver “outro projeto cultural” no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora.

Dedicado às artes performativas e utilizando “os recursos e dinâmicas do espaço rural alentejano como palco privilegiado para a criação artística contemporânea”, o festival vai acontecer, como nos outros anos, na Herdade das Valadas, propriedade de Miguel Carrelo e localizado perto da aldeia abandonada de Safira.

Um dos conceitos-chave do certame foi sempre o de “tirar partido da paisagem, do cenário, em pleno montado alentejano, para a realização dos espetáculos”.

No momento de “fecho de portas” do festival, Miguel Carrelo considerou que esta premissa “foi absolutamente validada” ao longo dos anos de programação e realçou que o balanço, “de um modo geral, é maravilhoso”.

“Sou arquiteto paisagista e sempre achei que o espaço rural tem outras potencialidades que não apenas a agricultura e a pecuária. O festival foi a tentativa de explorar esse outro caminho e, desse ponto de vista, o conceito está absolutamente validado. O ecossistema do montado é maravilhoso e tem um potencial absolutamente infindável”, afiançou.

A edição final do Safira, no sábado, vai permitir ao público do festival, “que foi sempre fiel e que cresceu de ano para ano”, desfrutar de dois concertos, em pleno campo alentejano.

O primeiro espetáculo, a partir das 19:00, vai ser o de Pedro Cardoso, mais conhecido como Peixe, ex-Ornatos Violeta, que vai “atuar a solo, com a sua coleção de guitarras”, mas também “com um violoncelista convidado, que é surpresa, ainda não sabemos quem é”, disse o organizador.

A banda portuguesa The Black Mamba, trio liderado por Pedro Tatanka e Miguel Casais, é a outra proposta desta edição 2017 do Safira, depois de, já em 2015, terem passado pelo festival.

“Os The Black Mamba são repetentes. Em 2015, deram aquele que foi o melhor concerto de música rock e soul do festival e, no outono passado, estiveram cá na herdade, durante três semanas, a preparar e a gravar o seu novo disco”, afirmou Miguel Carrelo.

Uma estadia da banda na herdade que levou Miguel Carrelo a decidir-se por uma última edição do certame: “Foi o que nos fez voltar a fazer o Safira, quando já não o pensávamos fazer. É para nos despedirmos”.

O festival tem lotação limitada a 750 pessoas e as entradas são gratuitas, mas é necessária inscrição prévia, que deve ser enviada para chaparro.inquieto@gmail.com.

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