Os concertos de apresentação “foram cancelados há duas semanas”, e Tiago Sampaio ainda não está “muito certo do lançamento” de “Highlight”. Com a situação que se vive atualmente, com a pandemia de COVID-19, “se calhar, estrategicamente, não é a melhor altura” para editar um álbum de um novo projeto, mas o músico acredita que “as coisas não devem morrer por completo, e deve haver sempre coisas boas a aparecer”.

“Acho que faz parte do nosso núcleo de artistas tentar manter e alimentar as pessoas que estão em casa e que precisam de ouvir e de ver coisas novas, que precisam de ter contacto com a Cultura, e foi esse um dos motivos fortes que nos levou [a ele e à editora Cosmic Burger] a avançar com o lançamento do disco”, contou em declarações à Lusa, ao telefone a partir de Braga, onde vive.

Tiago Sampaio fundou, em 2012, os Grandfather’s House. Começou sozinho, “a explorar umas ideias em casa e nem era com o intuito de ir para a estrada ou qualquer coisa do género”. Pouco tempo depois, Rita Sampaio, irmã de Tiago, integrou o grupo, e o projeto “foi sempre crescendo”.

Desta vez, com St. James Park, o rumo é outro. “Espero mesmo manter-me a solo e ser um projeto só meu, e o intuito também é um bocadinho diferente, porque eu aqui envolvo-me muito mais com as máquinas”, contou.

A criação de St. James Park “foi quase como uma tentativa de explorar a música eletrónica, os sintetizadores”, algo que Tiago Sampaio “sempre quis” e nunca teve oportunidade.

“Nos últimos tempos tenho tido tempo para isso e tenho-me aplicado”, referiu.

A escolha do nome do projeto remete para a infância de Tiago Sampaio e não para Londres, como à primeira vista pode parecer.

“Já me têm perguntado se tem alguma ligação com um parque em Londres, que se chama St. James Park, mas não tem nada a ver”, referiu.

Tiago Sampaio nasceu e cresceu “numa pequena localidade perto de Braga, chamada Santiago da Cruz”, onde havia um parque onde “costumava brincar muito com os amigos”.

St. James Park pode ser traduzido para português como o parque de São Tiago ou de Santiago.

“Grande parte das memórias que eu tenho de criança é nesse parque a brincar com eles. Com o disco já pronto, percebi que a minha música tem um toque nostálgico muito grande, pelo menos para mim. E pensei que, de uma maneira um bocadinho assim mais camuflada, fazia todo o sentido eu fazer referência a esse parque onde eu brincava e tinha as memórias, porque é uma coisa muito única, muito minha, que só eu é que experienciei e acho que fazia todo o sentido dar esse nome ao projeto”, disse.

Em St. James Park, o músico trabalha “muito com loops e samples disparados e coisas do género”. Ao vivo, já leva “metade do trabalho”. “Se calhar, a parte instrumental fica só na parte da composição e não tanto ao vivo”, disse.

O álbum de estreia, “Highlight”, começou a ser composto “sem nada muito definido”, Tiago Sampaio “só queria experimentar algumas ideias e desenvolver algumas capacidades”.

“Então fui compondo música, até que de repente fui desafiado pelo diretor e fundador da Cosmic Burger a editar o disco e eu comecei a trabalhar as músicas com outro intuito”, contou.

Foi ao trabalhar os temas que percebeu “que poderia e faria sentido colocar algumas vozes”. “Eu tinha uma visão muito própria do que queria para o meu disco e tanto a Ivy, como a Lince e o Noiserv entravam aí. Acho que fazia muito sentido, tendo em conta a estética da música, que eles participassem”, contou, partilhando que começou “a testar algumas coisas” com a sua voz e acabou “a colocar voz em quase todos os temas”.

As datas de apresentação ao vivo de “Highlight” serão anunciadas “oportunamente”.

Quanto aos Grandfather’s House, Tiago Sampaio partilhou que a banda vai “assumir uma paragem”. “Estamos há oito anos no ativo, temos trabalhado muito e não temos parado, e decidimos agora fazer uma paragem e pensar bem num próximo disco, porque sentimos que se calhar ainda não estamos preparados para compor o novo disco”, explicou.

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