O espetáculo, que será apresentado na quinta e na sexta-feira na Antiga Igreja do Convento São Francisco, em Coimbra, reúne cinco peças curtas escritas por Ricardo Correia, Vanesa Sotelo (Espanha), Maxi Obexer (Áustria/Itália), Julia Holewinska (Polónia) e Deborah Pearson (Reino Unido), que cruzam uma reflexão sobre a vida entre quatro paredes durante a crise pandémica com um olhar sobre a Europa.

Algumas mais próximas do documental e outras da ficção, as peças abordam diferentes questões relacionadas com a pandemia, mas também apontam para outras pandemias e outras “prisões”, como os populismos, o passado colonial, a homofobia ou a resistência aos migrantes, disse à agência Lusa o encenador e dramaturgo Ricardo Correia.

“O primeiro passo era esse: Nós, fechados, como reagíamos a isto da pandemia, mas também é um olhar sobre a Europa, porque há subjetividades muito diferentes a lutar com isto e contra isto e que falam sobre o que os rodeia e preocupa”, explicou.

O espetáculo tem um “olhar fractal”, quase como se fossem “várias facetas de um diamante que dão várias Europas”, frisou.

Julia Holewinska aborda a luta na Polónia contra as limitações impostas pelo Governo ao aborto, durante a pandemia, que lhe valeu a prisão, abordando ainda a luta do movimento LGBTQIA+.

Já Deborah Pearson retrata a experiência de ser mãe durante o confinamento e a dificuldade em escrever durante esse período.

Vanesa Sotelo explora a solidariedade numa história com uma enfermeira, uma idosa e um refugiado, em plena pandemia, com personagens cheias de contradições e incoerências.

Maxi Obexer, que esteve confinada nos Alpes italianos, surge com um olhar mais contemplativo, face à natureza bruta que via a partir da sua janela, e Ricardo Correia apresenta um texto mais reflexivo sobre viver o confinamento e a criação nesse contexto, onde recorda também a morte do ator Bruno Candé.

Ao longo do espetáculo, ouvem-se várias versões da música “Sound of Silence”, de Simon & Garfunkel, tocadas por artistas como James Blake ou Silvia Pérez Cruz.

“Há alguma voz interior nossa que fala connosco e nos obriga a confrontar-nos”, salientou Ricardo Correia, considerando que a inclusão de várias versões da canção acaba por ser uma espécie de metáfora sobre a reflexão em contexto de pandemia e sobre o exercício de se olhar o mundo a partir de uma janela.

“Huis Clos - A Europa entre 4 paredes” é interpretado por Ricardo Correia, Ana Teresa Santos, Cláudia Carvalho e João Amorim.

O espetáculo, integrado no Semestre Europeu, é apresentado nos dois dias às 19h00, sendo o custo do bilhete de oito euros.

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