O álbum, que reflete o triângulo atlântico de Portugal, Brasil e África, é inteiramente constituído por poemas de Tiago Torres da Silva, "de cariz autobiográfico", e composições do brasileiro Fred Martins, que conheceu através do músico Pierre Aderne, no âmbito do projeto Rua das Pretas.

"Desafiei-os a fazermos um disco, que vai numa direção muito diferente da que tinha, inicialmente, idealizado com Tiago Torres da Silva", poeta com quem Amendoeira colabora regularmente e a quem se referiu como "um irmão de alma e um companheiro" das lides artísticas.

Tiago Torres da Silva, distinguido em 2011 com um Prémio Amália, tem colaborado com diferentes nomes do fado e também da música brasileira, e a quem Joana não nega elogios, apontando-o como um "incentivador " da sua carreira e o seu "melhor amigo".

Joana Amendoeira foi a primeira vez que fez um álbum inteiramente constituído por letras de um autor e melodias de um compositor.

"Foi algo surpreendente para mim, mas quis seguir o meu instinto, temos de nos dar estas liberdades", disse Joana Amendoeira à agência Lusa, referindo que nunca deixará de ser fadista, mas realçando que “este não é um disco de fado".

"Os meus dois pés estão sempre no fado, mas gosto de fazer misturas, e quis experimentar, dar-me a essa liberdade", disse, sublinhando "a profundidade poética e musical" do tema que dá título e abre o álbum "Na Volta da Maré".

A intérprete realçou a "cumplicidade" com os dois autores e também com os músicos que a acompanham no disco, gravado entre outubro de 2019 e fevereiro do ano passado e que esteve previsto sair em abril do ano passado, "não tivesse a pandemia trocado as voltas" à fadista.

A pandemia, disse a intérprete à Lusa, tornou-a "deprimida" e preocupada com o rumo das artes de palco, com "tantos artistas impedidos de trabalhar e partilhar a sua arte".

"Agarrei-me à família, principalmente aos meus filhos, e tive a sorte de fazer alguns espetáculos, atuei em festivais na Bulgária, fui ao Luxemburgo e a França", disse, referindo "as dificuldades que muitos enfrentaram".

Joana Amendoeira é acompanhada pelos músicos Fred Martins em cuatro cubano, violão e cavaquinho, Pedro Amendoeira, na guitarra portuguesa, João Filipe, na viola, Carlos Menezes, no contrabaixo e baixo acústico, Ruca Rebordão, na percussão, e Nilson Dourado, na melódica, guitarra elétrica, clarinete e viola caipira.

O disco é constituído por 12 canções, entre elas, "Entre o calor e o frio", "Viver a mil", "O medo" ou "Pequenos Nadas", interpretação que partilha com Fred Martins.

Este é o 10.º álbum de Joana Amendoeira, que se estreou discograficamente aos 16 anos, em 1998, e conta com dois gravados ao vivo, entre eles, "Joana Amendoeira & Mar Ensemble", que recebeu o Prémio Amália para Melhor Disco, em 2009.

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