Lídia Jorge vai estar em várias cidades alemãs até ao dia 7 de abril para apresentar a edição alemã do seu mais recente romance, "Misericórdia", um dos mais premiados da autora, publicado com o título "Erbarmen".

A digressão tem início em Berlim, na próxima semana, e passa por Munique, Frankfurt, Colónia e Dusseldorf. Antes disso, a autora estará na Feira do Livro de Leipzig ao lado José Luís Peixoto, Francisco Sousa Lobo e Tatiana Levy.

“Ao fim de muitos anos sem ter nenhuma obra traduzida para alemão, 'Misericódia' vai ser lançada neste mercado”, assinalou a conselheira cultural da Embaixada de Portugal em Berlim, Patrícia Salvação Barreto, em declarações à agência Lusa.

A apresentação de “Erbarmen” ("Misericórdia") vai ser feita em conversa com o tradutor, Steven Uhly, e o editor Christian Ruzicska, da editora Secession Verlag.

Autora de romances marcantes como "O Dia dos Prodígios", "A Costa dos Murmúrios", "O Vale da Paixão" e "Os Memoráveis", a escritora portuguesa tem sido uma voz incontornável na literatura contemporânea, destaca a editora.

"Misericórdia" (2022), uma das mais premiadas obras de Lídia Jorge, venceu o Prémio Médicis Étranger, em 2023, consagrando-a assim como a primeira autora de língua portuguesa a ser distinguida com o galardão criado em França em 1970. "Misericórdia" venceu igualmente o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, o prémio de narrativa do PEN Clube Português, o Prémio Fernando Namora e o Prémio Urbano Tavares Rodrigues, entre outras distinções.

Lídia Jorge escreveu “Misericórdia” na sequência de um pedido da mãe, uma das primeiras vítimas mortais da covid-19 no sul do país: “A minha mãe pediu-me várias vezes para escrever um livro que se chamasse ‘misericórdia’, porque ela achava que havia um desentendimento no tratamento das pessoas, achava que as pessoas procuravam ser amadas, mas não as entendiam. Pediu-me que escrevesse um livro chamado ‘misericórdia’, para que se tivesse compaixão pelas pessoas e as tratássemos como se fossem pessoas na plenitude da vida”, revelou a autora em entrevista à agência Lusa, quando da publicação da obra, em 2022.

Já este mês, Lídia Jorge foi distinguida com a insígnia de Comendador das Artes e das Letras de França, a mais alta distinção cultural atribuída pelo Ministério da Cultura.

Nascida há 78 anos em Boliqueime, no Algarve, a escritora portuguesa estreou-se em 1980 com o romance "O Dia dos Prodígios".

Além de mais de uma dezena de romances, da sua bibliografia fazem igualmente parte coletâneas de contos, obras de literatura infantil, de ensaio, de teatro, de poesia e crónica.

Lídia Jorge recebeu vários prémios literários portugueses e internacionais, entre os quais o Prémio FIL de literatura em Línguas Românicas, em 2020, de Guadalajara, um dos mais importantes da América Latina.

A Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, inaugurou a Cátedra Lídia Jorge, dedicada ao estudo da obra da escritora portuguesa, juntando-se a uma cátedra criada em setembro de 2021 na Universidade de Genebra, na Suíça.

Lídia Jorge é também, desde março de 2021, membro do Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República Portuguesa.