Para o artista José Ruy, que vai proferir a sua conferência em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde nasceu Eduardo Teixeira Coelho, a banda desenhada portuguesa “é definida como o antes e o depois” daquela figura.

Em declarações à agência Lusa, José Ruy, uma das maiores personalidades ligadas à banda desenhada nacional, destaca o "caráter inovador" do artista, que foi materializado através da utilização de "modelos vivos" para formar personagens das suas histórias, o que lhe “deu a possibilidade de gerar novas perspetivas através de pormenores que até então não se usavam”.

Eduardo Teixeira Coelho promoveu também um “estudo aturado da anatomia dos animais”, segundo José Ruy, sublinhando que o autor esteve “longas horas” no Jardim Zoológico, em Lisboa, a desenhá-los e estudá-los, para potenciar este conhecimento posteriormente no seu trabalho.

Tendo trabalhado na revista Mosquito até à sua extinção, emigrou em 1954, descontente com limitações impostas ao seu trabalho pelo Estado Novo, e desenvolveu-se em França, Espanha e Inglaterra, instalando-se depois em Itália, onde viria a morrer em 2005, com 86 anos.

José Ruy recorda que o artista português criou também para a Alemanha, uma vez que as Éditions Vaillant, para quem produzia nos vários anos que habitou em França, distribuíam os seus trabalhos por vários países, incluindo Portugal, “tendo sido célebre”, recebendo na Itália o prémio “Yellow Kid” para melhor desenhador estrangeiro.

O artista português destaca a curiosidade de ter tido um “êxito extraordinário na Europa, mas não ser muito conhecido nos Açores”.

José Ruy refere que o terceirense assinou os seus trabalhos com diversos nomes, como ETCoelho, E. Coelho ou ETC, seja como Martin Sièvre, I. P. Serafim, Tôu-Tchai, F. (ou Filadelfo) Postigo.

Um dos primeiros trabalhos conhecidos de Eduardo Teixeira Coelho em banda desenhada foi publicado no jornal humorístico Sempre Fixe, quando tinha 17 anos, embora se considere que a sua estreia neste género acontece em 02 de fevereiro de 1944, na publicação espanhola Chicos.

Para além de ter sido distinguido, em 1973, em Itália, em 1997 o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora atribuiu-lhe o Troféu de Honra e a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo agraciou-o em 2018, a título póstumo, com a Medalha de Mérito Cultural.

Durante o corrente ano, decorrem várias iniciativas para celebrar o centenário do seu nascimento, a 4 de janeiro de 1919.

A conferência de José Ruy surge no âmbito de uma iniciativa do Instituto Açoriano de Cultura, que se associa assim às celebrações nacionais do primeiro centenário de nascimento de Eduardo Teixeira Coelho, que foi também ilustrador e escultor.

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