O artista plástico Gaëtan Lampo Martins de Oliveira, nascido em Luanda, em 1944, cuja obra se centrou sobretudo no autorretrato, morreu hoje em Lisboa, vítima de cancro, disse à agência Lusa fonte da Galeria Miguel Nabinho.

Em comunicado, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, recorda que Gaëtan, como era conhecido, "viveu no interior dos seus autorretratos uma vida de intenso questionamento sobre a identidade e o papel da arte na construção de uma personagem".

"Num percurso onde o reflexo se apresentava, pela forma do desenho, como elemento de transgressão da imagem mediada, o trabalho de Gaëtan permitiu-se sempre à apropriação e à possibilidade de projeção", acrescenta a mesma nota, sobre o artista que completara 75 anos.

A partir do início dos anos 1980, Gaëtan centrou-se no autorretrato, que passou a tratar de modo continuado e obsessivo, aprofundando as variações sobre o mesmo tema, que era o seu rosto.

"A condição auto ficcional que foi buscando ao longo de mais de 40 anos de trabalho intenso levou-o a defender sempre que o que fazia não seriam autorretratos, mas modos de interpretar o que via e as marcas que a observação demorada deixavam transparecer através do rosto e do tempo", salienta ainda a nota oficial.

Morreu o artista plástico Gaëtan

Entre as exposições que realizou destacam-se a antológica "Terra de Ninguém", no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, em 1996, e no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, também em Lisboa, em 2004.

Participou ainda na XXI Bienal de Paris (1980), na mostra "Depois do Modernismo", na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa (1983), em "Tríptico", no Museum van het Hedendaagse Kunst, em Gent (1991), na Bélgica, em "Drawing Towards a Distant Shore: Selections from Portugal", no The Drawing Center, em Nova Iorque (1994), e em "Meio Século de Arte Portuguesa, 1944-2004" e "Abecedário Ar.Co 40 anos" (2013), no Museu do Chiado.

Gaëtan estava a preparar uma exposição individual para a Fundação Carmona e Costa, em Lisboa.

"É um dos artistas portugueses que mais recorreram ao desenho, praticando-o de forma quase exclusiva", lê-se na apresentação da sua obra, no 'site' do Museu de Serralves. "Apostado em expulsar da sua prática quaisquer tiques de academismo, cedo decidiu que, sendo destro, passaria a desenhar apenas com a mão esquerda. É principalmente conhecido através da prática obsessiva do autorretrato", em que se aplicou desde 1981.

"Esta recorrência ao seu rosto", como material de base, foi já descrita como "uma arte da fuga, composta de variações sobre o mesmo tema", recorda Serralves sobre o artista.

"Os desenhos em que Gaëtan se retrata, e onde surgem pequenas mudanças mais ou menos perceptíveis da sua face e do seu corpo – alterações obviamente acentuadas com a passagem do tempo – têm servido para eleger o tempo e a memória como os verdadeiros temas do seu trabalho", descreve o museu de arte contemporânea do Porto.

A Fundação Calouste Gulbenkian disponibiliza 'online' a reprodução de "Agnus Dei (olhos castanhos, camisa aberta)", uma das obras de Gaëtan, da sua coleção.

Em 1996, com a antológica "Terra de Ninguém", a Gulbenkian publicou o catálogo homónimo, com textos dos artistas e curadores Jorge Molder, que dirigiu o Centro de Arte Moderna, e Manuel Castro Caldas, professor e fundador do Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual.

Gaëtan está representado em coleções públicas e privadas, nomeadamente da Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Luso-Americana, Caixa Geral de Depósitos, do Ministério da Cultura, da Fundação Carmona e Costa, do Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, está ainda representado no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, nomeadamente nas obras em depósito, e no Museu de Arte Contemporânea, no Funchal, entre outras instituições.

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