O New York Times e a New Yorker ganharam o Prémio Pulitzer de Serviço Público esta segunda-feira pelos seus artigos que denunciaram as acusações de alegado assédio sexual e violação do produtor de Hollywood Harvey Weistein.

Este prémio na área de jornalismo destina-se a um conteúdo de meritório serviço público realizado por um jornal ou site de notícias.

A razão para a distinção dos dois artigos de investigação extravasa a questão do produtor caído em desgraça ou, pouco depois, das acusações contra Kevin Spacey ou o comediante Louis C.K.: os trabalhos tornaram-se os alicerces do movimento #MeToo de alerta contra o assédio sexual no local de trabalho que ultrapassou a indústria do mundo do cinema, com alegações que fizeram cair em desgraça personalidades como os jornalistas Charlie Rose e Matt Lauer, o senador Al Franken e o congressista John Conyers.

Segundo a administradora dos Pulitzer, Dana Canedy, as jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohe do New York Times e Ronan Farrow na New Yorker criaram "jornalismo de impacto e explosivo, que expôs predadores sexuais ricos e poderosos".

Foi a 5 de outubro do ano passado que o jornal nova-iorquino avançou com os resultados de uma devastadora investigação onde que acusava o fundador da Miramax e um dos produtores mais famosos de Hollywood de praticar assédio sexual durante décadas.

Weinstein teria chegado a acordos extrajudiciais com pelo menos oito mulheres, antigas funcionárias e colaboradoras, para resolver acusações de assédio sexual.

Entre elas figuravam acusações de abusos sexuais por parte da atriz Ashley Judd, conhecida pelo filme “Frida” e a saga “Divergente”.

Num comunicado enviado ao jornal, o produtor admitia que a forma como se comportou no passado com companheiras de trabalho provocou muitos danos, pelo que pediu perdão e uma segunda oportunidade, mas a 10 de outubro foi publicado um segundo artigo, ainda mais devastador para a sua reputação na revista New Yorker, que alargava as acusações a violações de que foram vítimas Asia Argento, Lucia Evans, Rose McGowan , Lysette Anthony e uma mulher cujo nome permanece anónimo.

Weinstein garantiu que todas as relações sexuais foram consensuais, mas foi expulso de vários organizações do mundo onde era comparado a um "deus", incluindo a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela atribuição dos Óscares.

Em poucas semanas após a publicação dos dois artigos, mais de 100 mulheres denunciaram assédios e abusos sexuais por parte do poderoso produtor (entre elas Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Mira Sorvino, Lupita Nyong’o, Annabella Sciorra, Paz de la Huerta, Rosana Arquette, Cara Delevingne, Léa Seydoux, Emma de Caunes e Judith Godrèche), mas o efeito mais duradoiro é que inspirou o movimento #MeToo, que levou à denúncia de centenas de casos de assédio e abusos sexuais e levou à atribuição da distinção Pessoa do Ano da revista Time.

Já a 1 de janeiro, mais de 300 atrizes, argumentistas, diretoras e outras personalidades do cinema lançaram o projeto Time’s Up para apoiar a luta contra o assédio sexual tanto em Hollywood como noutras profissões nos EUA, além de mais mulheres em cargos diretivos, igualdade de remuneração e de oportunidade.

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