O medo nos policiais nórdicos foi o mote para uma conversa entre os autores Christoffer Petersen (Dinamarca) e Arne Dahal (Suécia) que afirmaram que “o crime está a mudar” naqueles países.

O policial nórdico está ainda ligado “a uma ideia de menos violência” e a uma forma de escrita “mais sombria, influenciada pela falta de luz”, declarou Arne Dahal.

Para o autor de “Areias Movediças” e de “Perseguidos”, os dois títulos traduzidos em língua portuguesa, o assassínio do primeiro-ministro sueco Olof Palme (em fevereiro de 1986) marcou “o ponto de viragem” com a sociedade daquele país a perceber que, afinal, o território “não é tão excecional”.

“Os limites morais estão a desaparecer”, defendeu Arne Dahal, aludindo a novos crimes, como os de “colarinho branco, os financeiros”, e novas tensões sociais e políticas.

Já para a Gronelândia, um território cuja população “quase cabe num bairro de Lisboa” e onde os maiores crimes “são a inveja entre famílias e pessoas próximas”, figuras políticas como Donald Trump “estão a contribuir para pôr aquele território no mapa”, mais do que a gerar medo de que o Presidente dos Estados Unidos compre aquela zona da Dinamarca, comentou Christoffer Petersen.

Para o britânico, que há anos se mudou para a Gronelândia, os livros que escreve são “cartas de amor” a um território que se lhe “colou à pele” e o objetivo como escritor é “continuar a disseminar a sua cultura”.

No que toca a conferências, o dia do Folio começou com uma conferência sobre o colonialismo e o trabalho forçado, proferida por José Pedro Monteiro.

Espantado pela ideia que muitas vezes lhe é transmitida pelo público, de que a escravatura está erradicada em Portugal desde 1836, José Pedro Monteiro vincou a necessidade de que se estude e discuta a forma como o trabalho forçado continuou a ser prática até 1961, quando começaram a ser implementadas medidas reformistas.

Depois dos medos de um passado recente, hoje à noite o Folio debate os medos do presente, numa conversa entre José Eduardo Agualusa e Geovani Martins.

O Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos decorre na vila até domingo com mais de 210 iniciativas em 450 horas de programação, em torno da literatura.

Sob o tema “O Tempo e o Medo”, mais de meio milhar de convidados de quatro continentes participam em 16 mesas de escritores, 12 exposições e 13 concertos que integram a programação.

Organizado em cinco capítulos (Autores, Folia, Educa, Ilustra e Folio Mais), o Folio teve a sua primeira edição em 2015, num investimento de meio milhão de euros, comparticipados por fundos comunitários, sendo desde então custeado pela Câmara de Óbidos e por parceiros institucionais.

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