O evento que usa a música para promover o património local está de regresso sob o mote “Dançaremos juntos pela cultura”, obrigado a adaptar-se às circunstâncias da pandemia, o que forçou a organização a optar por apenas um local, transmissão streaming e um horário de final de tarde, com menos de uma dezena de pessoas na assistência.

“Tivemos de readaptar o conceito todo do festival, nunca aconteceu durante o dia. Este ano foi diferente, alterámos porque as pessoas podiam estar fora de casa até às 22:00 ou 23:00, havia horários. Tivemos que alterar isso para uma espécie de ‘sunset’ ou matiné, pensámos que não havia nada melhor do que DJ para terminar o pôr do sol e estar uma festa de verão”, afirmou à Lusa uma das organizadoras do certame, Ana Sofia de Oliveira.

Para esse efeito, a organização escolheu Marinho, uma “artista de Lisboa muito ligada ao rock e folk para começar a tarde”, pelas 17:00, seguida por Meta, música de Bragança “ligada à terra e natureza, que já foi finalista do Festival da Canção”, enquanto o pôr do sol vai ser acompanhado por Xinobi, “o cabeça de cartaz que dispensa apresentações”.

“Uma das coisas que nos fez ter mais energias e motivação para esta edição foi poder ajudar os artistas que foram quem mais sofreu com a COVID-19, a cultura foi praticamente cancelada ou adiada. Não fazia sentido cancelar a nossa quinta edição e o trabalho destes artistas que são quem faz o festival acontecer. Durante a quarentena foi a arte que serviu de escape para a população”, explicou Ana Sofia.

O local escolhido foi o jardim da Casa dos Albuquerques, construída no século XVIII, no centro da cidade, que sempre foi propriedade dessa família e que a organização já cobiçava há muito pelo contributo histórico que oferece, já que “acolheu o rei D. Pedro V nas viagens entre Porto e Lisboa”, embora o público seja restrito a menos de 10 pessoas, escolhidas através de concurso nas redes sociais.

A proprietária está de regresso à cidade depois de várias décadas em Espanha e disse ser um “prazer ceder o espaço familiar para atividades culturais, que fomentam e reforçam os laços da comunidade”, o que acaba por ser uma ajuda para os músicos que “estão em situação de crise” e dá a “conhecer a história da cidade, que tem um património histórico e cultural interessante, que a maior parte das pessoas desconhece”.

“Confio e apoio absolutamente os músicos, é precisamente reforçar esse sentido de comunidade e ajuda que devemos ter as pessoas não fecharem as portas uns aos outros. Temos que nos ajudar, somos uma comunidade, precisamos de ajudas mútuas. Tenho seis filhos, entre eles músicos, e sei o que sofrem por não terem concertos e atividades. A ideia é de poder ajudar e contribuir à difusão da música e do património histórico que temos”, explicou Mariana de Albuquerque, de 66 anos.

Por seu lado, Pedro Saavedra, responsável do Gabinete da Juventude da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, destacou o “orçamento que tem vindo a crescer gradualmente”, mas que este ano foi “mais apertado” e a abertura dos artistas que congratularam a autarquia pela realização do evento que, devido à pandemia, fugiu da ideia inicial.

“A dificuldade passou por querer que as pessoas façam um percurso pedonal para poderem ir de um concerto para o outro, o que este ano não é possível. Nesta edição, o executivo disse que ia avançar desde a primeira hora. Tendo em conta a dimensão do festival, não faz sentido pararmos. Queríamos vir a este jardim há muitos anos, a proprietária acolheu-nos desde a primeira hora e não há recuo, adaptamo-nos às circunstâncias”, indicou.

O funcionário camarário vincou ainda o papel e responsabilidade por parte da autarquia, que entrou em contacto com a GNR e autoridades de saúde locais para a realização do certame em segurança.

“Desde a primeira hora que o executivo quer que o evento se realize, mas há um cuidado acrescido na realização. O streaming era, desde a primeira hora, o plano inicial, mas estávamos a contar ter aqui mais pessoas”, lamentou.

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