A Rede Rádios é uma emissora online, estabelecida nos Estados Unidos, com várias localizações e programas do Brasil e do Canadá. Uma rádio para as comunidades de língua portuguesa, que quer apresentar os artistas das diásporas, atrair juventude e ser “diferente”, disseram os fundadores à agência Lusa.

Os dois amigos são profissionais da comunicação social e já trabalharam juntos em várias rádios de língua portuguesa nos EUA.

“A gente quebrou os paradigmas que havia”, disse Clésio Silvestre, dando “graças a Deus” que as coisas tenham mudado nos últimos tempos.

“Criámos uma outra maneira de comunicar, trabalhar e de interação entre os colegas”, que, mesmo com programas em horários diferentes, interagem e têm liberdade para intervir, acrescentou Clésio.

O brasileiro explicou que a rádio “era muito linear” e não agradava à dupla, que prefere “uma coisa mais cómica e mais engraçada”.

António David, natural de Lisboa, está nos EUA desde 1985 e constatou que “a juventude da diáspora deixou de ouvir rádios portuguesas”, e mesmo as pessoas mais velhas “já queriam uma coisa diferente, já estavam saturadas da rádio e daquilo que estava a ser feito”.

“A intenção”, explicou António David, é que “quando, um dia, os jovens de agora” forem questionados “sobre as rádios que ouviam, digam Rede Rádios”.

Foi em 01 de maio que a Rede Rádios foi lançada na Internet, depois de mais de dois anos de planeamento. O estúdio principal localiza-se em Fall River, Massachusetts, mas a rádio vai crescer, prometeram os fundadores, com ideias de vir a transmitir ao vivo de várias cidades dos EUA.

“Se de hoje para amanhã decidirmos fazer uma emissão ao vivo do Brasil ou de Portugal, combinamos e fazemos”, adiantou António David.

Com um site, uma aplicação móvel e contas nas redes sociais Facebook, Instagram e Youtube, a Rede Rádios já tem milhares de ouvintes e visualizadores. O perfil no Facebook tem mais de 50 mil visualizações diárias, calculam.

Há três semanas, um “levantamento” de dados deu cerca de 30 mil visualizações por dia nas várias plataformas e redes sociais, o que surpreendeu Clésio, a ponto de achar que “tem alguma coisa errada”.

Estes números ultrapassaram todas as expectativas dos fundadores, que só esperavam atingir este nível de audiências dentro de um ano: “De repente, isso assusta”, explicou Clésio.

Mas a pandemia de COVID-19 veio alterar todos os planos. As festas das comunidades lusófonas foram canceladas e as transmissões em direto dos eventos tiveram de esperar.

Por outro lado, Clésio Silvestre acredita que “as pessoas estão trancadas em casa, têm tempo para ouvir, baixar a aplicação e conhecer” a Rede Rádios.

Os dois profissionais da rádio consideraram que a música de língua portuguesa passa muito pouco nas emissoras nos vários países, principalmente no Brasil.

“Se para os artistas portugueses já é difícil chegar ao Brasil, imagine o que é para os artistas da diáspora”, disse António David.

Na Rede Rádios, o “Show da Tarde”, apresentado por Wilceu Pause e Mari Pause a partir do Brasil, inclui música dos países lusófonos, mas também “a música dos nossos artistas da diáspora”, enfatizou o português.

A Rede Rádios tem recebido pedidos de outras emissoras do Brasil para fazerem a retransmissão de certos programas.

Clésio Silvestre considerou que “é muito bom quando o trabalho de um artista da comunidade passa na Rede Rádios, porque pode estar a ser retransmitido para várias outras rádios”, por exemplo, no sul do Brasil, e chega a ouvintes na Argentina e no Paraguai.

São vários os colaboradores desta rádio web, que fazem programas de Nova Iorque, Rhode Island, Connecticut, do Brasil e do Canadá. Cada localização tem um nome diferente como “Rádio Rede Lisboa”, “Rádio Rede Açores” ou “Rádio Brasil Internacional”.

Os fundadores fizeram elogios rasgados à equipa.

“A rádio web tem uma coisa extraordinária: dá-nos a liberdade de fazer como nós idealizamos a rádio. E neste momento estamos a trabalhar com uma equipa extraordinária. Ainda hoje estamos para saber como é que em três meses fizemos isto tudo” concluiu António Dias, acrescentando que ainda há lacunas para melhorar.

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