Manel Cruz, que liderou a banda Ornatos Violeta e encabeçou projetos como Foge, Foge Bandido ou Supernada, vai apresentar parte da nova ‘aventura’, Extensão de Serviço, com o ‘single’ “Ainda Não Acabei”, lançado na sexta-feira, à cabeça.

Em palco, em concerto de encerramento do festival agendado para a meia-noite, o portuense estará acompanhada pela banda habitual, com Nico Tricot, Edu Silva e António Serginho, numa de duas atuações no Mimo, antes de o fazer no Brasil, em novembro próximo.

Outro dos destaques do último dia em Amarante é a atuação do músico brasileiro Rodrigo Amarante, que fez parte de Los Hermanos e Orquestra Imperial, antes de ter criado o genérico de “Narcos”, para a Netflix, que o ‘catapultaram’ para a fama internacional.

Baseado nos Estados Unidos, o multi-instrumentalista tem estado a trabalhar num sucessor do álbum de estreia a solo, “Cavalo” (2013), com lançamento previsto para este ano.

Além do concerto da ‘cantautora’ britânica Ala.Ni, no Museu Amadeo de Souza Cardoso, também o pianista Filipe Raposo, na Igreja de São Pedro, e o fadista Ricardo Ribeiro sobem ao palco, no Parque Ribeirinho.

O último dia do Mimo, domingo, conta ainda com uma “Chuva de Poesia”, uma ‘tradição’ criada em 1993 no Brasil, por Guilherme Mansur, e entretanto integrada no Mimo, que este ano “fará um tributo às grandes poetas, a partir da divulgação de obras de escritoras de diferentes épocas, estilos, vivências e nacionalidades”.

Ao todo, serão lançados vinte e oito mil ‘papelinhos’ na Igreja de São Gonçalo, uma atividade emulada nas extensões de Rio de Janeiro, Paraty e Olinda, sendo que o público português poderá recolher poemas de autoras brasileiras como Ana Cristina César, Cecília Meireles, Hilda Hilst ou Maria do Carmo Ferreira.

Também a portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen está nas “tiras voadoras” da iniciativa, marcada para as 17:30, além da russa Marina Tsvietaieva, a grega Safo, a norte-americana Emily Dickinson ou a indiana Rupi Kaur, entre outros nomes.

Dentro do ciclo Fórum de Ideias, o brasileiro Jards Macalé vai dar uma palestra, pelas 18:00, no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, sobre o processo de criação da canção “Vapor barato”, criada pelo brasileiro e Waly Salomão para Gal Costa, gravada em 1971.

O hino ‘hippie’ no Brasil será o foco da palestra, intitulada “Eu não preciso de muito dinheiro!”, que aborda o “intenso momento” da criação de uma faixa que “define bem as adversas circunstâncias políticas e culturais” do Brasil, nos anos de 1970.

A segunda edição do Mimo, em Amarante, contou, ao todo, com 52 atividades, espalhadas pela cidade ao longo de três dias, entre música, cinema, um programa educativo, poesia e um fórum de ideias, em três dias, nos quais se destacaram os concertos do pianista de jazz Herbie Hancock, da banda Nação Zumbi, dos Três Tristes Tigres, além de Jards Macalé, entre outros.

O Mimo nasceu em Olinda, no Brasil, em 2004, cinco anos depois, em 2009, estendeu-se a outras cidades do país e, no ano passado, teve a primeira edição portuguesa, em Amarante.

É uma iniciativa que "conta histórias", como disse à agência Lusa a sua diretora-geral, Lu Araújo. Enquanto "conceito", o festival "reinventa-se perante a cultura portuguesa", o que faz com as pessoas "vejam Amarante com outros olhos", disse Lu Araújo à Lusa.

No Brasil, o Mimo também se diferencia, principalmente num momento económico e político como o que atravessa: "O Mimo faz a diferença num país como o Brasil neste momento; é um oásis e os patrocinadores entendem que isso é preciso", disse a organizadora.

Essa diferenciação faz-se pela programação, sempre de acesso gratuito, tal como em Amarante, onde "cada ano é sempre um desafio" para "mostrar que fazer as coisas de graça não significa fazer as coisas com menos nível".

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