Editado pela Bertrand e “poderoso no seu conteúdo”, “Devias ter-te ido embora” é uma “obra que desafia as fronteiras entre os mundos exterior e interior, o real e o imaginário, a lucidez e a loucura”, refere a editora.

Publicado originalmente em 2016, o livro está a ser adaptado ao cinema, com produção e interpretação do ator norte-americano Kevin Bacon, e foi escolhida pelo Goethe-Institut Portugal para representar a literatura alemã na Noite da Literatura Europeia deste ano, em Lisboa, que se realiza a 8 de junho, estando prevista na programação uma encenação da obra.

Em menos de cem páginas, Daniel Kehlmann estrutura o livro como um diário pessoal do narrador, através do qual se vai desvendando a história.

Em resumo, o narrador é um escritor que se muda com a mulher e uma filha de 4 anos para uma casa alugada nos Alpes, onde trabalha na sequela da sua obra mais famosa.

O casal briga muito e a mulher, apesar de feliz por o trabalho do marido pagar as contas, ridiculariza as suas pretensões, aspetos sobre os quais o narrador desabafa no diário.

Mas alguma coisa não está bem e os primeiros sinais de que algo mais do que a discórdia conjugal está em curso surge na forma de breves registos no seu caderno, como um em que o escritor, entre dois parágrafos que descrevem ideias para o filme, aponta: "Algo estranho acabou de acontecer".

Entre as ocorrências estranhas, o narrador nota que as divisões da casa não estão no lugar onde deviam e começam a aparecer no seu caderno palavras que não foram escritas por si.

O mundo parece ter começado a perder o sentido e as próprias leis da geometria parecem ter sido subitamente suspensas, refere a editora, que descreve “Devias ter-te ido embora” como “um livro fascinante que desafia as fronteiras entre os mundos exterior e interior, o real e o imaginário, a lucidez e a loucura”.

Nascido em Munique, em 1975, Daniel Kehlmann é considerado pela crítica internacional como um dos mais notáveis escritores da atualidade, sendo autor de um dos grandes sucessos literários em língua alemã, “A medida do mundo”, uma obra traduzida para mais de 40 línguas e que foi adaptada ao cinema.

Autor de duas dezenas de obras, entre romances, ensaios, contos e peças de teatro, com apenas 30 anos, Daniel Kehlmann já conquistara vários prémios literários, entre os quais o Prémio Thomas Mann, o Die Welt, o Candide, o Kleist e o Doderer.

O escritor norte-americano Jonathan Franzen, que o classifica como “um dos autores mais brilhantes do nosso tempo”, revelou, no âmbito de uma entrevista que lhe fez, que o conheceu quando ele tinha 30 anos e se espantou como “era tão bem lido, para alguém tão ridiculamente jovem”, tendo-se tornado mais tarde seu colaborar no livro “The Kraus Project”.

Em Portugal estão ainda publicados “A medida do mundo” (2007) e “Fama: romance em nove histórias” (2010), ambos pela Presença.

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