Na noite desta quarta-feira, dia 1 de maio, o Coliseu do Porto encheu-se para ouvir Bob Dylan - há 26 anos que o músico não atuava na cidade Invicta. Durante quase duas horas, o norte-americano de 77 anos revisitou mais de 50 anos de carreira, musical e poética.

Independentemente da fama ou dos prémios, Bob Dylan apresentou-se igual a si mesmo: apesar do abraço caloroso do público, o músico entrou e saiu do palco sem dirigir uma única palavra ao público, como é hábito há décadas. O foco esteve sempre nas suas palavras, na poesia cantada e nas melodias.

No centro do palco do Coliseu do Porto, apenas rodeado por alguns holofotes, e acompanhado por quatro músicos, Bob Dylan apresentou um alinhamento de 20 canções, tal como tem acontecido em toda a digressão "Never Ending". Para o público, o importante é que os grandes êxitos não ficaram de fora.

A entrada em palco deu-se ao som de "Things Have Changed", tema que o músico compôs para o filme "Wonder Boys" e com o qual ganhou um Óscar em 2001. O desfile continuou "It Ain’t me baby", "Highway 61 Revisited", "Simple twist of fate", "Dignity" e "When I Paint My Masterpiece".

Nos últimos anos, a digressão "Never Ending", de Bob Dylan, contou com centenas de momentos emocionantes, apesar do alinhamento não variar. Enquanto os fãs no início dos anos 2000 nunca sabiam o que o músico iria tocar, agora é sempre garantido que "Things Have Changed" é o primeiro tema a ser servido. De acordo com a revista Rolling Stones, um fã chegou à conclusão que Dylan já tocou "Pay in Bloood" mais de 400 vezes desde que a canção foi lançada, em 2012.

Ao apostar sempre em alinhamentos iguais, o norte-americano parece determinado a marcar estas 20 canções como as mais emblemáticas da sua carreira, ao mesmo tempo que parece procurar novos significados para os temas.

Sem conversas e sem pausas, o músico esteve quase sempre sentado atrás de um piano de cauda - apensas interpretou "Why try to change me" no coração do palco, no meio dos seus músicos.

Durante duas horas, Bob Dylan não disse uma única palavra ao público. Ou melhor, disse milhares: as das suas canções e dos seus poemas. O concerto do norte-americano é apenas centrado na música, nada mais.

Esta quarta-feira, os fãs que encheram o Coliseu do Porto saíram da sala com um sorriso. Os sucessos foram recordados e Dylan provou mais uma vez que continua invicto, tal como a cidade que o recebeu.

Bob Dylan já atuou várias vezes em Portugal, tendo os concertos mais recentes acontecido em 1999 em Lisboa e no Porto, em 2008 no festival NOS Alive, em Algés, e no ano passado na Altice Arena, em Lisboa.

O músico realiza a digressão “Never ending tour” consecutivamente há pelo menos trinta anos, prossegue no sábado em Salamanca, o primeiro de seis concertos em Espanha.

* Tal como tem acontecido em toda a digressão, o músico não se deixou fotografar.

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