Segundo a programação já anunciada, Midnight Embassador, projeto recente do músico André Graça, tem dois concertos na Indie Week de Manchester, marcada de 10 a 14 de outubro. Slimmy estará na Indie Week de Toronto, que decorrerá de 6 a 11 de novembro.

A iniciativa, que se reparte por aquelas duas cidades, é um festival que inclui ainda conferências e encontros entre profissionais, de promoção e divulgação de música independente, à semelhança de dezenas de outros eventos que se propõem ser uma montra da atual produção musical, como a Womex e o Eurosonic, ambos na Europa, ou o norte-americano South by Southwest.

As Indie Week funcionam em moldes semelhantes, naqueles territórios e mercados. O festival canadiano acontece há mais tempo, cumprirá a 16.ª edição, e é de maiores dimensões, com 250 concertos em 25 salas. O evento de Manchester vai para a quarta edição e propõe 80 concertos em oito salas.

A música portuguesa entra nestes dois festivais por via de uma parceria com um programa de rádio dedicado à nova música portuguesa, intitulado "Tosta Mista", produzido pelo radialista Álvaro Costa e pelo produtor canadiano Steve Bootland, que vive em Portugal.

"A música portuguesa está em crescendo e a tentar furar. O programa é apenas uma porta de entrada, feito em inglês e só com música portuguesa e não devemos ter medo dos nossos produtos culturais", afirmou Álvaro Costa à agência Lusa.

Feito com o apoio da rádio pública Antena 3, o programa "Tosta Mista" é vocacionado sobretudo para escuta ‘online’, estando associado à plataforma norte-americana de rádios Idobi, que tem mensalmente 5,5 milhões de ouvintes em todo o mundo.

Foi através da transmissão do programa "Tosta Mista" na plataforma Idobi que a música portuguesa chegou aos organizadores das Indie Weeks, explicaram Álvaro Costa e Steve Bootland à agência Lusa.

A escolha de Slimmy e Midnight Embassador foi da responsabilidade dos organizadores, tendo o programa de rádio feito apenas a ponte na divulgação.

Steve Bootland, há mais de uma década a viver em Portugal, elogiou a capacidade criativa dos artistas portugueses, mas lamenta que a internacionalização da música nacional ainda não esteja nas prioridades de quem decide em Portugal.

Para André Graça, a presença em Manchester será uma "oportunidade única" para iniciar a divulgação internacional de um projeto em nome próprio - Midnight Embassador - que começou há cerca de um ano.

Natural de Beja, 23 anos e a viver em Londres, André Graça contou à agência Lusa que estuda música desde os 4 anos, formou-se no Conservatório Regional do Baixo Alentejo e em Inglaterra, onde fez o curso de composição e tecnologia da música para filmes e jogos.

São muito poucos os concertos que já deu enquanto Midnight Embassador e prepara ainda o primeiro EP, homónimo, de canções indiepop, que deverá sair em outubro quando atuar em Manchester.

"O início nunca é fácil, tenho ainda muito trabalho pela frente, investi o meu dinheiro e quero chegar às pessoas certas", disse, depositando expetativas naquela passagem por Manchester.

Nos últimos anos, tem havido maior divulgação de artistas e bandas portuguesas em festivais profissionais, mas sem uma estratégica concertada e efetivada a nível ministerial.

Em 2012, Portugal foi o país em destaque na Canadian Music Week, o maior evento do Canadá para profissionais da indústria discográfica e musical, mas a participação de artistas portugueses ficou abaixo das expectativas por falta de apoio financeiro.

Em 2017, a música portuguesa voltou a ser o foco, mas desta vez foi no festival Eurosonic, na Holanda, e este ano, no final de setembro, haverá operação semelhante, com dez artistas nacionais a atuarem no Waves Vienna, na Áustria.

Em 2011, a nível ministerial, chegou a ser anunciada a criação de um Gabinete de Exportação da Música Portuguesa, com a dotação de um milhão de euros, que nunca foi concretizado.

Este ano, no âmbito da política de ação cultural externa do atual Governo, foi criada uma estrutura de missão, denominada Portugal Maior e dirigida pelo músico João Gil, que pretende salvaguardar o património da criação musical portuguesa.

Outro dos objetivos anunciados é "apoiar a organização e realização de digressões, residências artísticas, espetáculos e outras formas de apresentação pública de músicos e grupos, assim permitindo a obtenção de ganhos de escala na promoção das formas e agentes musicais da diáspora portuguesa".

O mandato desta estrutura de missão, criada em maio, termina no final de 2020.

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