Esta é a ultima exposição em que Dan Graham trabalhou antes de morrer, em 2022, conta com a curadoria de Bartomeu Mari e apresenta 20 projetos arquitetónicos, expostos em três momentos numa alusão à história dos Três Porquinhos, ora expostos entre palha, ora entre cortiça e, por fim, entre tijolos.

A acompanhar a exposição, patente até 31 de março de 2024, a Fundação de Serralves, que tem no seu jardim uma peça de Dan Graham, apresenta um catálogo que inclui ensaios inéditos de Bartomeu Mari, Momoyo Kaijima e Yoshiharu Tsukamoto, os designers da exposição.

Aquele catálogo inclui um conjunto de textos de Dan Graham publicados entre 1979 e 2010 e uma “vasta seleção de imagens relativas tanto aos projetos de arquitetura como aos desenhos de Graham incluídos na mostra” que, refere a Fundação de Serralves, “tornam o livro absolutamente único”.

“Numa conversa aqui em Serralves com o Dan, convidei-o, em tom de provocação, a ser curador de uma exposição sobre arquitetura. Ele agarrou num guardanapo e escreveu Sim”, contou, durante a visita de imprensa hoje realizada, o diretor do Museu de Serralves, Philippe Vergne.

Segundo o responsável pelo Museu de Serralves, “a única coisa que Dan pediu foi que o Bartomeu Mari fosse o seu parceiro”.

No guia que acompanha a exposição, Mari explica que esta "exprime a admiração de Graham por oito arquitetos que, de uma forma ou de outra, influenciaram a sua obra": Jan Duiker, Lina Bo Bardi, Atelier Bow-Wow, Sverre Fehn, Itsuko Hasegawa, Kazuo Shinohara, Anne Tyng e Vilanova Artigas.

Selecionados por Graham, os projetos são transpostos para o desenho expositivo pensado pelo Atelier Bow-Wow e organizados num “espaço crítico”.

“As obras são apresentadas em pares e a leitura de uma influencia a leitura da outra”, explicou Bartomeu Mari na vista de hoje, sublinhando como este processo permite leituras criativas e a perceção de uma evolução dinâmica de ideias e formas.

"Not Post-Modernism. Dan Graham e a Arquitetura do Século XX" funciona também "como um ensaio sobre arquitetura – uma disciplina que Graham trouxe para o mundo artístico, tornando-o consciente da sua importância e crítico do seu conteúdo", escreve o curador no guia da mostra.

As obras selecionadas são expostas sob vários olhares, sublinhando o poder da geometria, como "método para organizar o pensamento e a construção", mas também para "quebrar convenções do espaço arquitetónico existente, para inverter hierarquias e oferecer às pessoas espaço livre."

Os diferentes pares surgem assim sob diferentes temas e perspetivas: o poder da geometria, a geometria diagonal, composições geométricas, a arquitetura e o programa urbano, a arquitetura e a Natureza, como lugar para a comunidade, em formas agrupadas e sob formas de compromisso social.

Para expor os diferentes temas das quatro salas de Serralves que acolhem a mostra, o Atelier Bow-Wow concebeu pavilhões de três tipos de blocos disponíveis no Porto – palha, cortiça e tijolo – empilhados para formar um plano quadrado, um plano em semicírculo e um plano triangular.

A última sala da exposição está revestida por desenhos de Dan Graham. "Aí, os visitantes podem ver os desenhos e compreender o que movia a sua curiosidade pela arquitetura", assegura o atelier.

Dan Graham é um “protagonista inclassificável” da arte contemporânea, explica a organização da mostra, lembrando que a sua obra inclui textos críticos, poesia, performance, escultura, instalações-media, filmes e vídeo, além de fotografia.

A obra de Dan Graham, refere a Fundação de Serralves, aborda tanto as novas dimensões da condição e da subjetividade do espectador, surgidas com a Arte Minimal e Conceptual, como o esbatimento das fronteiras rígidas e estáveis entre as tradições das belas-artes (alta cultura) e os produtos das subculturas populares (o vernáculo contemporâneo).

Nome pioneiro da arte conceptual, Dan Graham morreu em Nova Iorque, em fevereiro de 2022, a poucas semanas de completar 80 anos.

A crítica e a história da arte contemporânea identificam-no como artista pioneiro no desenvolvimento do minimalismo, pós-minimalismo e conceptualismo, tendo desenvolvido um importante trabalho na área do vídeo.

Durante as décadas de 1960 e 1970, porém, o próprio artista não se declarou envolvido em nenhum movimento artístico, assumindo-se acima de tudo como um arquiteto e escritor.

"A minha paixão nunca foi a arte. Foi sempre a arquitetura, o turismo, o 'rock and roll', e escrever sobre 'rock and roll'”, disse, em 2011.

Apesar da negação do seu estatuto de artista, Dan Graham - que teve a sua primeira retrospetiva nos Estados Unidos, em 2009, no Museu Whitney - exerceu uma forte influência em gerações que recolheram reflexão e ideias dos seus textos, fotografias, vídeos e esculturas.

A série de fotografia "Homes for America" (1966–67) marcou a sua carreira, e trabalhos como o texto "Detumescence" (1966), sobre o que acontece ao pénis de um homem quando atinge o clímax, ou "Schema" (1966), que detalhava os seus elementos tipográficos, eram vistos como provocações, mas tinham também como objetivo romper com a informação de via única dos "media".

Dan Graham nasceu em Urbana, Illinois, em março de 1942, e cresceu em Winfield, no Estado de Nova Jérsia. Não estudou formalmente além do liceu, mas absorveu as teorias de intelectuais como Claude Lévi-Strauss, Margaret Mead, Jean-Paul Sartre e Walter Benjamin, entre outros.

A sua intenção inicial era ser escritor.

Em 1964, fundou a Galeria John Daniels, em Nova Iorque, que viria a ser palco de várias exposições do movimento minimalista.

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