Numa altura em que se assinalam os 400 anos da morte de Shakespeare, o encenador e director artístico do Teatro do Bairro, António Pires, leva a Almada uma versão cénica da escritora e dramaturga Luísa Costa Gomes, a partir da tradução de Henrique Braga de "Cimbelino", em que o dramaturgo inglês apresenta um reino mergulhado na mentira, corrompido por dinheiro e jogos de poder.

A obra data de uma época em que Shakespeare se encontrava "entediado com a vida real, com as pessoas, com o teatro (...), com tudo o que não fosse poesia", e baseia-se na história de Cunobelino, rei da Britânia, durante a ocupação romana da região, como recorda o programa do festival, citando o escritor e crítico britânico Lytton Strachey (1880-1932).

Nesta peça, António Pires recorre à colaboração de alunos finalistas da Escola de Actores ACT, à semelhança do que fizera em "Quatro santos em três actos", também com dramaturgia de Luísa Costa Gomes, que se estreou na edição anterior do Festival, e que lhe valeu uma menção honrosa da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.

"Cimbelino", que se estreia hoje na Escola D. António da Costa, em Almada, tem interpretações de Adriano Luz, Ricardo Aibéo e Rita Loureiro, figurinos de Dino Alves e regressa à cena de 03 a 13 de agosto, no Museu Arqueológico do Carmo, integrado na iniciativa "Glorioso Verão - Festival Shakespeare", com que o Teatro Nacional D. Maria II e o Teatro Municipal São Luiz assinalam os 400 anos da morte do dramaturgo.

No âmbito deste programa, o D. Maria II exibe hoje o filme "King Lear", de Peter Brook, de 1970, sobre a tragédia de Shakespeare, em que o poder, a corrupção, a ganância e a morte são de novo tema do drama.

Com Paul Scofield, como protagonista, o filme conta com interpetações de Irene Worth, Susan Engel e Anne-Lise Gabold, como Goneril Regan e Cordelia, as filhas do rei, Alan Webb, como conde de Gloucester, Tom Fleming, conde de Kent, e Cyril Cusack, duque de Albany.

O filme, estreado em 1971, sucedeu à encenação de Peter Brook para a Royal Shakespeare Company, também protagonizada por Paul Scofield, numa altura em que este recebra o Óscar de melhor ator, pelo desempenho em "Um Homem para a Eternidade", de Fred Zinnemann, sobre Thomas More.

Cerca de 50 anos após a estreia em palco desta versão de Peter Brook, a Royal Shakespeare Company, no seu sítio na internet, continua a destacar a interpretação de Paul Scofield, "no papel desafiante" de rei Lear, e recorda que, numa sondagem de 2004, o ator continuava a ser considerado "o melhor intérprete de sempre" desta personagem, pelos seus pares.

A exibição de "King Lear", por Peter Brook, tem início às 18:00, na Sala Estúdio, do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

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