Escrita em 1879 pelo dramaturgo norueguês, “Uma Casa de Bonecas” centra-se no casal Helmer, sobretudo na mulher, Nora, e na viagem interior que esta personagem faz, levando-a a tomar consciência de que a aparência de perfeição e de felicidade não trazem, de facto, nem felicidade nem perfeição.

Nesta peça, Ibsen denunciava também a exclusão das mulheres na sociedade burguesa da época o que fez com que, assim que publicada, fosse considerada uma peça revolucionária com repercussões nos movimentos feministas.

João de Brito confessou à Lusa tratar-se de um texto que o apaixonou de imediato, quando o leu a primeira vez, sabendo desde então que um dia teria de o pôr em palco. Só não sabia como nem onde, acrescentou, questão agora resolvida.

As palavras de Ibsen e a forma como as transmite foram fatores de encantamento do texto clássico do dramaturgo norueguês (1828-1906) para o diretor do Lama Teatro, estrutura criada em 2010 com sede em Faro, e que agora se apresenta na sala Estúdio do Teatro da Trindade.

Na encenação desta peça, João de Brito disse ter-se baseado muito “a partir do texto, do trabalho dos atores e do seu jogo, sempre numa lógica de vários focos em cena”.

Tendo procedido a alguns cortes no texto – “porque não faria sentido fazê-lo na íntegra“ -, o encenador acrescentou que nestes três atos mantém sempre “o foco principal, onde decorre a ação principal, mas também com segundas e terceiras ações secundárias”, levando o “público a escolher o que quer ver”.

“Qualquer uma destas [ações] existe por si só e são muito ricas. Mesmo quando [as personagens] não abrem a boca. E foi isso que também quis realçar nesta encenação que tem uma lógica 'vintage', mas que pode passar-se hoje em dia”, frisou.

João de Brito transpõe assim a ação desta obra para um outro tempo, que não o século XIX, mas conferindo-lhe um “toque transversal aos nossos [dias], tal como as palavras do Ibsen”.

Com tradução de Miguel Graça, “Uma Casa de Bonecas” tem dramaturgia de João de Brito e de Miguel Graça.

Interpretam, Bruno Bernardo, Diana Nicolau, Inês Ferreira da Silva, José Mata, Luís Lobão e Madalena Almeida.

A cenografia é de Carla Martinez, os figurinos, de José António Tenente, o desenho de luz, de Álvaro Correia, a música, de Tomás Alves e, a fotografia e vídeo, de Diogo Simão.

“Uma Casa de Bonecas” fica em cena na sala Estúdio do Teatro da Trindade até 31 de julho, com espetáculos de quarta-feira a domingo, às 19:00.

Trata-se de uma produção do Teatro da Trindade Inatel e do Lama Teatro.

No dia 4 de julho, após a peça, haverá uma conversa com o público.

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