Um dos maiores eventos já organizados por Portugal, a Expo 98 continua viva na memória de todos aqueles que por lá passaram há vinte anos. Mas há quem tenha vivido a exposição no seio da sua organização: a colaboradora Inês Pavão teve o privilégio de fazer parte da equipa que respondia diretamente aos milhares de visitantes que lotavam o Parque das Nações.

Mais que isso, registou o dia-a-dia num diário. O resultado é o livro “Uma Equipa de Sonho na Exposição Mundial”, que pode ser adquirido por via online no website Sinapsis e fisicamente na livraria Ler Devagar, na LX Factory, em Alcântara (Lisboa).

A Expo 98 decorreu entre 22 de maio e 30 de setembro de 1998 e 11 milhões de pessoas passaram pela exposição – tendo recebido na última noite o incrível número de 215 mil visitantes. Também impressionante foi a quantidade e multiplicidade de acontecimentos culturais ocorridos, deixando ainda um grande legado arquitetónico e de reurbanização bem-sucedida da zona oriental de Lisboa.

Uma equipa de sonho na exposição mundial

Da hesitação ao sucesso

Em primeiro lugar, o registo significa uma celebração de um evento que começou com o caráter hesitante de muitos portugueses na sua capacidade de realizar algo deste porte. Conforme lembra a autora, faziam-se críticas na altura, embora a imprensa já surgisse também a destacar a grandeza da obra no cenário internacional.

Hoje não restam dúvidas sobre o sucesso do empreendimento: “No final a Expo 98 foi declarada um sucesso por nacionais e estrangeiros e serve ainda hoje como argumento de que os portugueses são capazes de grandes feitos. Mesmo passados 20 anos, os media continuam a lembrá-la como um grande momento, que constitui uma parte importante da História de Portugal”, diz.

Um diário para dias difíceis

Mas em termos de experiência pessoal nem tudo foram flores – especialmente no início. Conforme conta, o registo diário nasce, justamente, dos desabafos que fazia por cartas endereçadas ao namorado holandês. Recém-chegada de uma experiência profissional nos Estados Unidos, acabou por encontrar uma realidade diferente daquela que idealizava a viver no estrangeiro.

“As cartas ajudavam-me a lidar com situações difíceis e tornaram-se numa forma de desabafar e tentar compreender as pessoas e o que se passava a minha volta”, recorda. “Depois acabaram por se tornarem num diário da exposição. Ao longo dos meses eu deixei de escrever cartas para produzir relatos específicos do meu dia-a-dia na Expo”.

Uma equipa de sonho

De situações corriqueiras à uma longa lista de ocasiões extraordinárias e até bizarras, as efemérides da exposição exigiram de uma equipa de atendimento altamente treinada horas de jornadas que podiam estender-se muito além dos horários habituais e seguir pela madrugada afora. Inês Pavão acabar por focar-se, e daí o título do livro, na “equipa de sonho”.

“Durante seis meses intensos de trabalho, colegas diretos e indiretos passaram a ser ‘camaradas’ uns dos outros e, no final, mesmo amigos. A Expo 98 trouxe uma alegria coletiva a todos que participaram nela. As relações duradouras que se estabeleceram entre as pessoas que fizeram parte desta experiência raramente se observam em situações normais de trabalho”.

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