Com chancela da Caixa Alta — Oficina Editorial, o livro é da autoria de Maria Antónia Fiadeiro, pioneira do jornalismo do pós-25 de Abril, e dos estudos femininos em Portugal, e espelha o trabalho e a vida de portuguesas cujo percurso pessoal pode dar a compreender melhor o papel da mulher na história recente do país.

Intitulado "Artistas, Artesãs, Pioneiras", o livro é composto por quase cem conversas com personalidades da arte e da cultura nacional — como Ana Salazar, Maria Mendes, Hélia Correia, Maria Antónia Palla, Paula Rego ou Lídia Jorge —, com artesãs — como Etelvina Faria dos Santos, bordadeira, ou Irene Mourão, carpinteira.

Também estão referenciadas mulheres dedicadas a áreas só há pouco tempo abertas à participação feminina, como Cândida Alves, a primeira carteira em Portugal, ou Maria Arsénia, jardineira pública.

Trata-se de uma "recolha de vozes, experiências, saberes, sonhos e lamentos com um valor histórico inestimável, que nos permite ver um reflexo das ambições, dos obstáculos e dos desafios da mulher na sociedade portuguesa no fim do século XX e início do século XXI", descreve a editora num texto sobre a obra, que inclui, como abertura, uma entrevista inédita à autora, realizada por Francisca Gorjão Henriques em janeiro de 2020.

O livro encerra com um texto autobiográfico, publicado em 1987 no Sábado Popular (que viria a ser o Diário Popular), sobre a experiência de Maria Antónia Fiadeiro durante o seu exílio no Brasil.

Jornalista, feminista, investigadora independente, Maria Antónia Fiadeiro é licenciada em Filosofia Pura pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (1972), mestre em Estudos sobre Mulheres pela Universidade Aberta, em Lisboa (1990), onde foi também investigadora no Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais.

Dirigiu a revista Modas e Bordados, do jornal O Século, mantendo a colaboração com outros órgãos de comunicação social, e fez parte da primeira redação do Jornal de Letras, Artes e Ideias, coordenou a "Página da Mulher", no Diário de Notícias, e escreveu vários artigos e entrevistas para as revistas Máxima e Casa & Decoração, onde foi colaboradora regular.

Foi, com Maria Antónia Palla e Antónia de Sousa, uma das três primeiras mulheres eleitas para a direção do Sindicato dos Jornalistas, personalidades que Maria de Lourdes Pintasilgo – única mulher que até hoje foi primeira-ministra em Portugal - apelidaria de "as três Antónias", por analogia com "as três Marias" (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa), que assinaram as "Novas Cartas Portuguesas", condenadas pela ditadura do Estado Novo.

Na televisão, Fiadeiro promoveu e apresentou o programa "Pano para Mangas", na RTP1, e, na rádio, foi responsável pelos programas "Crónicas da Manhã", "O Real e o Imaginário" e "Andar aos Papéis", na Antena 2.

Publicou "Maria Lamas, Biografia", "Mulheres do Século XX: 101 Livros", "Aborto — O Crime Está na Lei" e "Fernando Piteira Santos: Português, Cidadão do Século XX (in Memorium)"

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