"A comédia força-te a aceitar coisas. Eu uso a comédia para falar de coisas que as pessoas à partida não se sentiriam confortáveis [a abordar] e que são disparatadas", disse Gabriel Abrantes à Lusa, em Berlim.

"Freud und Friends" desenvolve uma paródia de ficção científica, em torno de um documentário do cineasta alemão Werner Herzog, intercalado com publicidade de um 'trailer' de um filme de Woody Allen, funcionando como uma forma de "destruir" os heróis de Gabriel Abrantes, "para criar uma nova linguagem".

A ideia para o filme, "que brinca com esses heróis do cinema independente", surgiu de um sonho que o realizador decidiu explorar.

"Pensei que o sonho era um bocado patético. O medo de casar não é assim muito real. No meu sonho, estava misturado com conteúdos muito estranhos como organismos geneticamente modificados que falavam e cantavam, como o tamboril", explicou Abrantes à Lusa.

O cineasta referiu que a curta também pode ser encarada como uma autocrítica, porque "fazer um filme sobre os próprios sonhos, sobre o próprio medo de casamento é talvez a coisa patética e narcisista".

Além da imagem de Woddy Allen e de tamboris cantores, a 'curta' tem um elenco composto por Sónia Balacó, Carloto Cotta, Filipa Anika, David Phelps e Gabriel Abrantes, no papel de si mesmo.

"Participo em muitos dos meus filmes. Acho que mostrar a cara do realizador no ecrã faz com que paralelos éticos sobre o conteúdo dos filmes sejam mais claros. Muitos realizadores e produtores escondem-se atrás da câmara e não mostram a sua própria responsabilidade perante esse meio. Eu sempre tento fazer essa piada".

"Freud und Friends", que é exibido hoje, pela última vez, na secção competitiva de curtas-metragens do festival, poucas horas antes da entrega do urso de ouro, prémio maior do certame, faz parte do filme coletivo "Aqui, em Lisboa", produzido pelo IndieLisboa.

Gabriel Abrantes é também autor de filmes como "Taprobana", nomeado pelo festival de Berlim para o prémio de melhor filme europeu do ano na categoria de curta-metragem, em 2014, "Palácios de Pena" e "A History of Mutual Respect".

A 66.ª edição do Berlinale, que encerra no domingo, contou com a presença de oito filmes de produção portuguesa, três dos quais para a competição oficial - "Freud und Friends", a 'curta' "Balada de um batráquio", de Leonor Teles, e "Cartas de guerra", de Ivo Ferreira, longa-metragem baseada na obra de António Lobo Antunes.

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