O cineasta britânico Terry Gilliam anunciou nas redes sociais ter - finalmente - concluído as filmagens na Espanha e em Portugal do seu filme "O Homem que Matou D. Quixote", iniciadas há 17 anos.

"Depois de 17 anos, terminámos de filmar 'The Man Who Killed Don Quixote'", escreveu no domingo o cineasta de 76 anos nas redes sociais Twitter e Facebook.

"Muchas gracias [muito obrigado] a toda a equipa e aos crentes. D. Quixote está vivo!", comemorou o diretor de "Brazil: O Outro Lado do Sonho" e "12 Macacos", aliviado após concluir esta etapa de um projeto que se arrasta há quase duas décadas e permanece envolvido em polémicas.

Após uma disputa contratual com o produtor Paulo Branco que continuará nos tribunais, surgiram acusações de alegadamente terem sido causados estragos durante a rodagem ao Convento de Cristo, em Tomar.

Em causa está uma reportagem da RTP, emitida na sexta-feira, que refere que alguns resultam de uma fogueira ateada num claustro do edifício, monumento nacional e classificado como Património Mundial. O realizador já respondeu, garantindo que "tudo o que fizemos foi para proteger o edifício de qualquer dano e correu bem".

ACUSAÇÕES DE DANOS NO CONVENTO E CRISTO SÃO "IGNORÂNCIA SEM SENTIDO", DIZ TERRY GILLIAM

Uma produção problemática

Uma primeira tentativa de adaptar o romance do século XVII do espanhol Miguel de Cervantes - com o americano Johnny Depp e os franceses Jean Rochefort e Vanessa Paradis - tinha fracassado em 2000 na Espanha, sob o peso de uma série de desastres.

Na nova versão, o ator americano Adam Driver ("Star Wars: O Despertar da Força", "Paterson") encarna um publicitário que regressa a Espanha e encontra um homem que pensa que é D. Quixote, interpretado pelo britânico Jonathan Pryce.

A atriz francesa de origem ucraniana Olga Kurylenko também faz parte do elenco, que mudou várias vezes ao longo dos anos.

Em novembro de 2000, Gilliam teve de parar as filmagens por várias razões: chuvas torrenciais transformaram o set da rodagem num verdadeiro pântano. Quanto ao ator francês Jean Rochefort - que deveria ser D. Quixote - sofreu uma hérnia de disco que o impedia de andar a cavalo.

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