A recordação de brincar com os bonecos de "Star Wars" permanece na memória de Riz Ahmed, mas agora as crianças poderão fazer o mesmo com a 'action figure' inspirada na sua personagem em "Rogue One: Uma História de Star Wars", algo que o ator britânico considera "surreal".

Ahmed acaba de completar 34 anos, mas poderia passar facilmente por um adolescente.

A sua carreira começou a ganhar força há uma década, quando foi o protagonista do docudrama "A Caminho de Guantanamo" (2006), do também britânico Michael Winterbottom.

Desde então, participou em vários filmes, com grande versatilidade de papéis, mas afirma que não estava preparado para o que aconteceria em 2016.

"Foi um momento surreal, espantoso", disse à AFP o ator nascido em Londres, filho de paquistaneses, ao recordar o momento em que viu o grande troféu de toda a aventura: o seu próprio boneco de "Star Wars".

"Lembro-me de ter brincado com estes bonecos quando era criança e, agora, ser parte deste universo de plástico é algo maravilhoso", afirmou.

Ahmed interpreta o piloto Bodhi Rook em "Rogue One", o mais recente filme da saga espacial.

O ator foi aclamado por seu papel ao lado de Jake Gyllenhaal em "Nightcrawler - Repórter na Noite" (2014), o seu primeiro grande papel em Hollywood, e também esteve em "Jason Bourne", lançado este ano.

Para completar, Ahmed protagonizou em 2016 a minissérie da HBO "The Night Of", ao lado de John Turturro, em que interpretou Nasir 'Naz' Khan, um estudante americano de origem paquistanesa acusado de matar uma jovem em Nova York.

Personagens com pontos fracos

Em "Rogue One: Uma História de Star Wars", Bodhi Rook é um aliado do império que muda de lado e passa a lutar com os rebeldes.

"É um filme "Star Wars", mas ao mesmo tempo é diferente", afirmou durante uma entrevista na Industrial Light and Magic, responsável pelos efeitos especiais da Lucasfilm, em São Francisco.

"É mais um filme de guerra, mais realista, unhas sujas, botas no chão. É uma sensação de imersão que me emociona", revela.

A história de Ahmed surpreende os que não conhecem a história do jovem da classe operária que ganhou uma bolsa para estudar em Oxford e adora ler sobre política, filosofia e economia.

Um perfil muito diferente dos papéis que já interpretou, como um suposto terrorista em "A Caminho de Guantanamo" (foto) e "O Fundamentalista Relutante" (2012) ou um narcotraficante em "Shifty - Uma História Urbana" (2008) e em "Ill Manors" (2012).

O ator também trabalhou na polémica mas elogiada sátira "Quatro Leões", onde era um idealista mas cruel líder de uma célula jihadista na Grã-Bretanha.

"Procuro sempre personagens com pontos fracos, não sei porquê, mas adoro personagens que têm um forte sentimento de arrependimento, ou um profundo desejo de corrigir algo".

Além da carreira no cinema, Ahmed tem uma segunda atividade na música, como o rapper "Riz MC" no duo de hip-hop "Swet Shop Boys", que aborda questões políticas, de raça e desigualdade.

A dupla lançou recentemente a canção "T5", na qual menciona o presidente americano eleito Donald Trump.

Na música, Ahmed expressa a frustração e raiva por sofrer preconceito racial - e em alguns casos maus-tratos - em aeroportos dos EUA e Grã-Bretanha.

Ainda assim, o ator apaixonado por política acabou a trabalhar naquele que é considerado o filme mais politizado de Star Wars.

Ele, no entanto, considera todos os filmes da saga "muito políticos".

"São sobre a ONU, o fim da Liga das Nações e o início do autoritarismo, do fascismo", disse.

Ao falar sobre a mensagem de "Rogue One", Ahmed resume-a como a união das pessoas em tempos de adversidade, sem importar as origens.

"Num tempo que todos falam 'nós e eles" e optam pelo tribalismo é bom lembrar que precisamos uns dos outros para resolver os grandes problemas", conclui.

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