Com um jovem Keanu Reeves, uma história maluca de viagens no tempo e uma série de diálogos ousados, "A Fantástica Aventura de Bill e Ted", de 1989, tornou-se um clássico de culto da comédia.

Dois anos mais tarde, surgiu uma sequela, "Bill e Ted no outro Mundo" (1991), consolidado o que se tornou uma das sagas adolescentes mais populares da história do cinema.

Três décadas depois, o sucesso que lançou a carreira do ator regressa para um terceiro filme, no momento em que a mensagem de seus heróis carinhosos, "sejam ótimos uns com os outros", é mais necessária do que nunca, de acordo com seus criadores.

"Foi realmente por acaso", disse o argumentista Chris Matheson à agência AFP antes da estreia de "Bill & Ted Face the Music" esta semana nos EUA [a portuguesa está anunciada para 10 de setembro].

"Quando decidimos retomar a história, não tínhamos o pressentimento de que a sua ingenuidade perante o mundo teria, de alguma forma, ressonância maior", esclarece.

"Mas à medida que as coisas se tornavam mais e mais sombrias no mundo, talvez a partir de novembro de 2016, houve uma sensação de como, 'Sim... Pode ser realmente agradável passar agora um tempo com eles'", acrescenta.

A data citada por Matheson foi, claro, quando o republicano Donald Trump foi eleito presidente dos EUA.

Keanu Reeves, que se tornou um dos jovens queridos de Hollywood na década de 1990 com "Ruptura Explosiva", "Speed" e "Matrix", renasceu nos anos mais recentes graças à saga "John Wick" e a uma campanha viral na Internet que o apresentou como o ator mais gentil da indústria.

Ele também foi fundamental para concretizar este mais recente "Bill & Ted".

Matheson e o outro argumentista, Ed Solomon ("Homens de Negro"), começaram a escrever este mais recente filme da saga há mais de uma década, após a estrela confirmar a sua disponilidade para regressar numa entrevista.

Em conferência de imprensa on-line por causa da pandemia que parou Hollywood, Reeves disse aos jornalistas que o espírito alegre de Bill e Ted tem "mais impacto simplesmente por causa da situação em que nos encontramos".

O ator até se opôs às tentativas de adicionar uma dose de malícia ao comportamento da dupla.

"Íamos escrever cenas em que Bill e Ted eram desonestos, tentando enganar alguém", lembra Matheson.

"E ele dizia, 'Não, eles não fariam isso'. E ele acabou por ter razão. Estes tipos simplesmente não fazem isso. E isso é significativo. Esse é Keanu", completa.

Crise de meia-idade

No filme, as coisas não saíram exatamente como planeado pela dupla de aspirantes a estrelas de rock de San Dimas, na Califórnia.

Agora, eles estão casados e têm filhos, e a sua desesperada banda, a Wyld Stallyns, ainda não conseguiu escrever o profetizado hino de rock que unirá o mundo. E o tempo está a passar, o que dá à história um certo ambiente de crise da meia-idade.

Reeves e o coprotagonista Alex Winter, agora um reputado documentarista, juntam-se a Samara Weaving e Brigette Lundy-Paine, que interpretam as suas filhas, assim como a alguns dos velhos personagens favoritos.

O filme percorreu um longo e difícil caminho até ao ecrã, dificultado, segundo relatos da imprensa especializada, pelas reservas de alguns executivos de estúdios perante protagonistas mais velhos, numa Hollywood obcecada por "novas versões" de sagas voltadas para o público jovem.

Para os seus criadores, porém, "Bill & Ted" não poderia existir sem Reeves e Winter, ambos com 55 anos, que se conheceram na audição do filme original, quando tinha pouco mais de 20 [o primeiro filme foi filmado em 1987, mas só estreou dois anos mais tarde). Eles continuam a ser amigos próximos e passam com frequência o Dia de Ação de Graças e outros feriados juntos.

"A amizade de Alex e Keanu está impregnada em toda saga", disse Solomon.

"Não queríamos fazer uma versão em que tivessem tido sucesso e agora não se falassem [...] porque sabíamos que eles nunca se separariam", concluui.

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