Em declarações à agência Lusa, a cineasta lusodescendente fez um apelo a "todos os franco-portugueses, de todas as idades, homens, mulheres, que querem viver esta experiência única do cinema", para participarem no 'casting', cujas primeiras sessões vão ser feitas a 29 de outubro e a 05 de novembro em Paris.

"O meu desejo é trabalhar, tal como já fiz nas minhas 'curtas', com atores não profissionais - e também com atores profissionais - mas, por isso, gostava de fazer um 'casting' a todas as pessoas interessadas porque acho que há uma maneira mais autêntica de aparecer e trabalhar no cinema (...). É um apelo que é dirigido a todos os franco-portugueses, de todas as idades, homens, mulheres que querem viver esta experiência única do cinema", declarou.

Cristèle Alves Meira quer ver no 'casting' todo o tipo de perfis para incarnar desde a protagonista, uma jovem entre 15 e 20 anos, aos membros da sua família, a avó, "os tios, as tias, todos emigrantes e pessoas que têm de falar francês e português".

Para se inscrever, os interessados deverão enviar uma mensagem de correio eletrónico a castingalmaviva@gmail.com.

A cineasta, de 33 anos, vai contar com o apoio do canal francês Arte para a produção desta primeira longa-metragem, depois de a sua segunda curta-metragem de ficção, "Campo de Víboras", ter estado presente na Semana da Crítica do Festival de Cannes este ano.

O novo filme vai chamar-se "Alma Viva" e as rodagens deverão ser feitas "no próximo verão ou no verão de 2018", em Trás-os-Montes, contando a história de Salomé, uma lusodescendente de 15 anos que "regressa à sua aldeia trasmontana, como todos os anos, para as férias de verão", e é confrontada com a morte da avó e com "a brutalidade da família que não quer pagar uma sepultura".

"Salomé acredita que a morte é algo de sagrado, tal como na tragédia 'Antígona', e vai acreditar que a alma da avó não pode descansar ou ter paz enquanto não tiver uma sepultura digna. É um filme que interroga a nossa relação com os mortos, com a espiritualidade, com o materialismo. É um filme de verão, muito quente, muito luminoso, mas também é um drama de família, mas que quero com umas tonalidades mais cómicas", descreveu.

Em dezembro, a realizadora vai estar em residência artística a preparar o filme, num programa apoiado pela Semana da Crítica do Festival de Cannes, que "tem um interesse grande em acompanhar o realizador na passagem da curta à 'longa' [metragem]".

Cristèle Alves Meira, que começou a trabalhar na encenação de teatro, regressou às suas raízes através das imagens, tendo entrado no universo lusófono com a realização dos documentários "Som & Morabeza" (2008), rodado em Cabo Verde, e "Born in Luanda" (2012), filmado em Angola, antes de sentir uma "necessidade de representar Trás-os-Montes".

"O cinema para mim é uma maneira de me ligar com a minha identidade, com a minha dupla cultura e então Trás-os-Montes foi mesmo uma obsessão. Em 2012, há quatro anos, comecei a reunir histórias, lendas que me tinham contado. Acho que os trasmontanos têm assim uma maneira de ser, uma energia que é muito espetacular e feita para o cinema", contou.

Às condições naturais, juntou-se a história familiar da cineasta nascida em França, com uma mãe de Trás-os-Montes e um pai de Viana do Castelo, e que sempre regressou a Trás-os-Montes nas férias.

A paixão pelas raízes portuguesas foi traduzida nas duas primeiras curtas-metragens de ficção, "Sol Branco (2015) e "Campo de Víboras" (2016), e até na "grande paixão pela azeitona e pelo azeite", que a levou a criar a sua própria marca de azeite.

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