Pela primeira vez em duas décadas, a Mostra de Cinema de Veneza será inaugurada com uma longa-metragem italiana,
«Baaria». Realizada por
Giuseppe Tornatore, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1990 por
«Cinema Paraíso», a película marca o regresso do cineasta à sua Sicília natal, para narrar um drama épico de recorte autobiográfico. «Ri e também chorei com este filme, que representa o melhor do cinema «made in Italy» e que, tenho certeza, viajará por todo o mundo», afirmou o director do certame, Marco Müller.

O programa da 66ª edição do Festival de Veneza, que se prolonga até 12 de Setembro, inclui 48 filmes nas duas sessões mais importantes, 24 deles na Competição Oficial pelo Leão de Ouro e outros 24 na mostra Horizontes.

Na disputa pelo Leão de Ouro, estarão outros três filmes italianos, com destaque para
«Il Grande Sogno», do actor e realizador
Michele Placido, que também aborda uma história autobiográfica, passada no seio dos movimentos de protesto que animaram o conturbado ano de 1968.

O cinema francês estará representado por autores exigentes, entre eles o veterano
Jacques Rivette, figura chave da Nouvelle Vague, que, aos 81 anos, ligou os destinos de
Jane Birkin e
Sergio Castellito em
«36 Vues du Pic Saint Loup».

O cinema norte-americano independente, que tradicionalmente lança seus filmes na Europa a partir de Veneza, estará presente com 17 longas-metragens, seis delas em competição.

«Um cinema amplo e variado», assim definiu Müller a edição deste ano, cujo juri é presidido pelo muito premiado
Ang Lee.

Cineastas com estilos diferentes integram o programa, qualificado por Müller como «justo, aquele que sempre quis realizar», combinando um cinema rebuscado e original, com obras que vão do terror, com o mestre do género
George A. Romero (
«Survival of the Dead»), à política, com o polémico documentarista
Michael Moore (
«Capitalism: A Love Story»).

«Levo ao Lido o lado negro do capitalismo, as mentiras e o fracasso do mercado livre», afirma Moore, que se recusou a exibir o filme até à data para evitar boicotes pela denúncia dos poderosos grupos económicos e financeiros, que considera responsáveis pelo colapso da economia mundial.

O alemão
Werner Herzog também está na disputa pelo Leão de Ouro, com o drama policial
«Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans», protagonizado por
Nicolas Cage, ao lado de realizadores de países como Israel, Egipto e Sri Lanka, que pela primeira vez competem em Veneza.

Entre os filmes políticos que geram mais expectativa figuram
«Videocracy», do ítalo-sueco
Erik Gandini, uma acusação contra o poder mediático do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, e
«South of the Border», o documentário do americano
Oliver Stone sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Para o tradicional desfile pelo tapete vermelho são esperadas estrelas do cinema como
George Clooney,
Matt Damon,
Charlize Theron,
Viggo Mortensen,
Julianne Moore,
Diane Kruger,
Isabelle Huppert e
Monica Bellucci.

O festival chegará ao fim a 12 de Setembro, após atribuir o Leão de carreira ao norte-americano
John Lasseter, director e fundador do estúdio de animação informática Pixar, responsável por alguns dos maiores sucessos de público e crítica dos últimos anos.

A maioria dos filmes em Veneza serão exibidos em estreia mundial, tal como a primeira longa-metragem do estilista da Gucci,
Tom Ford,
«A Single Man», com Julianne Moore, uma história de homossexualidade centrada num professor britânico que perde o companheiro depois de 16 anos de união.

SAPO/AFP

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