Que
David O. Russell é um dos mais importantes e criativos cineastas a trabalhar na arena do cinema independente norte-americano, ninguém tem grandes dúvidas. Que apesar dessa certeza cada vez menos gente queria trabalhar com ele é que pode parecer estranho a quem não tenha acompanhado as notícias do mundo da Sétima Arte. As explosões violentas do cineasta durante as rodagens tornaram-se lendárias e foi preciso um grande sucesso de crítica e bilheteira como
«The Fighter - Último Round», somado à experiência positiva de filmagem que todos afirmam ter tido, a recuperar-lhe a imagem entre a comunidade profissional do cinema.

O. Russell, hoje com 52 anos, formou-se em Ciência Política e Inglês no início dos anos 80 mas só assinou a primeira longa-metragem em 1994,
«Spanking the Monkey», umas fita polémica, que envolvia o tema do incesto, mas que foi um êxito de crítica, conquistando o Prémio do Público no Festival de Sundance e o Independent Spirit Award para Melhor Primeiro Filme e Melhor Primeiro Argumento.

Seguiu-se novo sucesso em 1996 com a comédia independente
«Flirting with Disaster», já com estrelas como
Ben Stiller,
Patricia Arquette e
Téa Leoni no elenco. A entrada na primeira divisão do cinema, porém, dá-se em 1999 com
«Três Reis», o primeiro filme a dar-lhe grande visibilidade pública, um grande sucesso de bilheteira protagonizado por
George Clooney e
Mark Wahlberg.

É também nesse filme que arranca a fama de temperamento intempestivo de O. Russell, com Clooney a assumir que chegou mesmo a ter um confronto físico com o realizador durante as filmagens e a afirmar, quando lhe perguntaram se voltaria a trabalhar com ele, que «a vida é curta demais».

Apesar do sucesso de bilheteira, a controvérsia levou a dificuldades de financiamento no seu filme seguinte, uma comédia de cunho existencialista entitulada
«Os Psico-Detectives» (2004), uma vez mais com
Mark Wahlberg. E se a sua imagem tinha ficado amolgada com «Três Reis», ficou quase completamente destruída com este filme, quando surgiu na internet um vídeo do cineasta durante a rodagem a explodir de raiva e a gritar impropérios violentíssimos à actriz
Lily Tomlin.

A fita teve uma reacção tépida da crítica e quase nula do público e só seis anos depois O. Russell conseguiu assinar outro filme, que lhe reabilitou completamente a carreira.
«The Fighter - Último Round», produzido e, uma vez mais, protagonizado por
Mark Wahlberg, teve uma sorte completamente inversa à do seu trabalho anterior: uma rodagem que todos sublinharam ter sido excelente, um sucesso de bilheteira inesperado, um imenso êxito junto da crítica e nada menos que sete nomeações para os Óscares, incluindo a primeira de O. Russell, para Melhor Realizador. O cineasta parece ter feito as pazes com o sistema, que o pode consagrar na próxima cerimónia das estatuetas douradas.

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