”I DO NOT CARE IF WE GO DOWN IN HISTORY AS BARBARIANS”

Tendo em conta a frase escolhida pelo realizador Radu Jude para título do seu filme, os romenos até não se podem queixar da sua sorte nos manuais de História. Afinal, não é de conhecimento alargado que eles são considerados em algumas teses como o principal aliado de Hitler – ficando à frente dos italianos em colaboracionismo nas suas limpezas étnicas.

O violento braço de ação romena, o “front” ucraniano que culminou no episódio conhecido como o “Massacre de Odessa”, em 1941, é um dos temas que se sobressai nesta reconstituição histórica que, apesar do tema, não surge alheia a algum sentido de humor do cineasta vencedor do prémio principal do IndieLisboa em 2015 com “Aferim!”.

LETO (VERÃO)

Em antestreia de uma tardia chegada às salas portuguesas, não deixa de ser altamente recomendável esse mergulho estilístico que mistura drama, musical e animação pelo espírito da juventude russa dos anos 80: "Verão" (foto) conta a história de um triângulo amoroso entre uma mulher e duas futuras “rock stars” do país – um enredo verídico baseado nas memórias de Natalia Naumenko.

O que se sobressai é o espírito de rebelião adolescente à pala de muito “rock’n’roll”, numa altura em que a “cortina de ferro” da ditadura comunista deixava de filtrar a entrada de uma multidão de referências da revolução juvenil iniciada no Ocidente nos anos 60. Os “rockers” retratados no filme teriam no mundo real mortes prematuras – Mayk Naumenko, com 36 anos em 1991, de causas não muito bem esclarecidas depois de uma queda em casa, e Viktor Tsoi, com 28 anos, em 1990, num acidente de trânsito.

Um dos filmes mais celebrados do Festival de Cannes de 2017, remonta ainda aos tempos não claramente democráticos da Rússia atual – considerando que o realizador Kirill Serebrennikov não pôde comparecer por estar sob prisão domiciliária. Em causa estavam as suas críticas à anexação da Crimeia e a sua defesa dos direitos LGBT.

DE NUEVO OTRA VEZ

Interligações geográficas pressupondo questões de identidade são um dos temas subjacentes do drama familiar “De Nuevo otra Vez”, da secção competitiva do IndieLisboa.

Em registo naturalista nos limites do docudrama, a cineasta argentina Romina Paula analisa um duro processo de autoconhecimento de uma mulher que decide abandonar temporariamente o marido e mudar-se com o filho pequeno para a casa da mãe.

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