A FEVIP - Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais enviou uma carta ao Governo e ao ICA - Instituto de Cinema e Audiovisual, em que pede o adiamento da abertura das salas que promovam o cinema comercial para o dia 2 de julho.

Em causa está a autorização de reabertura para 1 de junho, uma medida integrada na última fase de desconfinamento da COVID-19: a associação garante que as distribuidoras de cinema que são suas associadas não têm filmes novos para distribuir porque dependem do circuito de estreias internacional.

"Reabrir as salas sem novos filmes equivale a ter um supermercado com as prateleiras vazias ou cheias de produtos cujo prazo de validade já passou", garante o diretor-geral da FEVIP António Paulo Santos na missiva.

A FEVIP salienta que nunca foi consultada para se pronunciar sobre sobre a data de reabertura, tal como a APEC - Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas, apesar de representar mais de 95% das salas de cinema em Portugal.

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"A disponibilidade dos filmes está atrasada e dependente da abertura dos mercados internacionais, como é o caso dos EUA. Esta disponibilidade só é esperada para o mês de julho, se as condições sanitárias o permitirem", explica António Paulo Santos, que acrescenta que a proposta de 1 de junho foi "uma surpresa" e é "absolutamente despropositada e irrealista".

A carta destaca mesmo que o circuito de exibição comercial que depende de filmes de grande audiência deposita as esperanças em "Tenet" do realizador Christopher Nolan, cuja estreia mundial está prevista para 17 de julho e 16 de julho para Portugal

Em entrevista à RTP-3 este domingo (24), António Paulo Santos destacou que muitos dos cinemas estão em centros comerciais e não existem 10 a 20 filmes com potencial para preencher as suas muitas salas e atrair espectadores.

O diretor-geral da FEVIP salientou que a data de reabertura pode colocar mesmo em causa a sobrevivência de um setor que gera emprego seguro e em que 55% não entrou em lay off: "se não tivermos produto e não abrimos as salas, nos centros comerciais temos que pagar multas".

"A APEC, apesar de mais de 55% das salas de cinema não terem entrado em 'lay-off' reivindicou a manutenção parcial do mesmo, por forma a permitir às empresas exibidoras de cinema algum apoio, permitindo-lhes ajustar as suas equipas de colaboradores ao processo de retoma de frequência das salas, que se prevê muito lenta, nos primeiros tempos de reabertura", pode ainda ler-se no texto.

Acrescentou que o negócio só será viável se for garantida uma lotação mínima de 50%, respeitando o distanciamento social.

A FEVIP salienta que a proposta de 2 de julho não invalida que os cinemas de circuito alternativo não possam, "se assim o pretenderem", reabrir a 1 de junho.

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Até esta segunda-feira (25), apenas o Cinema Ideal em Lisboa, ligado ao sistema de distribuição alternativo, anunciou a reabertura a 1 de junho, com a reposição de "Retrato da Rapariga em Chamas", de Céline Sciamma, que tinha estreado a 12 de março e esteve pouco tempo em exibição.

Em estreia estarão ainda dois documentários que estavam programados para assinalar em maio os 75 anos do fim da II Guerra: "Quem Escreverá a Nossa História" e "Uma Vida Alemã".

Em comunicado, o Cinema Ideal salienta que irá assegurar "todas as condições de segurança e saúde", nomeadamente "desinfeção e limpeza permanentes, e com a lotação da sala limitada a uma em cada duas filas e dois lugares de intervalo entre espectadores".

Em junho, está ainda a ser pedido para que as reservas sejam feitas por telefone ou email.

Além do Cinema Ideal, a exibidora Medeia Filmes revelou na página oficial que reabrirá o cinema Nimas, também em Lisboa, a 10 de junho, mas os detalhes sobre condições de acesso e segurança serão revelados em conferência de imprensa a 01 de junho.

Contactada pela Lusa, fonte da exibidora NOS Cinemas – líder do circuito da exibição comercial - disse que não tem qualquer informação oficial sobre a reabertura das 219 salas que detém, porque também quer saber oficialmente o que decide o Governo sobre lotação exigida e conduta dentro da sala de cinema.

Nos contactos efetuados nos últimos dias com outros exibidores, fonte da empresa NLC – Cinema City, a terceira maior exibidora em Portugal, com 46 salas de cinema, indicava à agência Lusa que estava a preparar a reabertura, “mas nunca para dia 01”, porque “como todo o mercado de cinema, a nível nacional e internacional, não reúne as condições necessárias para a abertura no início de junho”.

De acordo com o ICA, a rede portuguesa de exibição comercial de cinema integra 535 salas, com cerca de 99 mil lugares.

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