Todos se lembram dela essencialmente como a demencial irmã Ruth, a freira ruiva e desequilibrada que faz explodir todas as tensões num convento dos Himalaias no clássico «
Quando os Sinos Dobram» (1946), de
Michael Powell e
Emeric Pressburger.

Mas
Kathleen Byron, falecida ontem aos 88 anos, teve uma carreira bastante mais longa.

Com mais de meio século de trabalho contínuo no cinema, no teatro e na televisão, a sua estreia no grande ecrã deu-se em 1942, com um pequeníssimo papel em
«Pitt, VEncedor de Napoleão», de Carol Reed.

Os seus papéis mais memoráveis no cinema surgiram logo a seguir, às ordens da dupla Powell e Pressburger, em três dos seus mais emblemáticos filmes: além de
«Quando os Sinos Dobram», Byron também participou na encantadora fantasia «
Um Caso de Vida ou de Morte» (1946), em que interpretava um anjo, e no drama de guerra «
O Seu Pior Inimigo» (1949), em que chega a ser a co-protagonista, com David Farrar.

Nos anos que se seguiram brilhou em vários melodramas britânicos, como
«Milagre do Céu» (1949),
«Alvorada de Glória» (1950), baseado num conto de Aldous Huxley, e
«Tom Brown’s Schooldays» (1951). O seu sucesso em Inglaterra levou a uma viagem a Hollywood para integrar o elenco essencialmente britânico de «Amor de Rainha» (1953), de George Sidney, uma reconstituição dos primeiros tempos do reinado da Rainha Isabel.

Porém, insatisfeita com a experiência, regressou a Inglaterra, onde trabalhou em vários filmes de série B em papéis de composição, por vezes em fitas de terror como «Night of the Eagle» (1962) e «As Servas de Drácula» (1971).

A televisão também contou muito com ela, e foi aí que, nas últimas décadas, mais espalhou o seu talento, em personagens altivas, muitas vezes da aristocracia, em várias séries nos anos 60 e 70, como
«The Edwardians»,
«The Golden Bowl» ou
«Edward the Seventh».

Kathleen Byron ainda regressou ao cinema pontualmente, em papéis de prestígio, em filmes como
«O Homem Elefante» (1980), de David Lynch,
«Emma» (1996), de Douglas McGrath,
«Os Miseráveis» (1998), de Bille August, e
«O Resgate do Soldado Ryan» (1998), de Steven Spielberg, em que interpretava a mãe dos irmãos Ryan.

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